Economia

Dólar cai a R$ 5,10 com corte da Selic e Fed no radar

ResumoO dólar à vista caiu a R$ 5,1073 nesta quinta-feira (6), após o Copom reduzir a Selic para 14% ao ano. A decisão do Banco Central e o monitoramento do Federal Reserve influenciam o câmbio, reduzindo pressões sobre preços e custos de importação. Investidores acompanham o cenário externo para ajustar estratégias de proteção e exposição cambial.

O dólar à vista caiu a R$ 5,1073 nesta quinta-feira (6), após o Copom cortar a Selic para 14% ao ano. Saiba como a decisão e o cenário externo impactam seus investimentos e o custo de vida.

Lia Hartmann
Lia Hartmann Especialista em renda fixa · 06 de agosto de 2026
BCE vai discutir aumento de reservas mínimas de bancos, diz

Dólar cai a R$ 5,10 com corte da Selic e política monetária dos EUA no radar

O dólar à vista fechou em queda nesta quinta-feira (6), cotado a R$ 5,1073, após o Copom cortar a Selic para 14% ao ano. A moeda brasileira se descolou do exterior, onde o dólar subiu com a expectativa pelo payroll e com a sinalização de alta de juros nos EUA.

Dólar cai a R$ 5,10, mas cenário externo segue como risco

O câmbio brasileiro reagiu à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. Foi a quarta flexibilização consecutiva e, mais uma vez, a decisão foi unânime, em linha com o esperado pelo mercado.

Desta vez, o colegiado enxugou o comunicado de junho, após ruído por excesso de informações, e retirou a afirmação de que um período prolongado de manutenção da taxa básica em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica.

Os diretores do BC reafirmaram que, em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será feita à luz de novas informações.

Alta do petróleo dá suporte ao real

A valorização dos preços do petróleo também beneficiou o real frente à divisa norte-americana, já que o Brasil é um país exportador da commodity. O contrato do Brent para outubro, referência para o mercado internacional, fechou com alta de 3,83%, a US$ 82,49 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

"Apesar das incertezas no radar externo, o avanço do petróleo e a leitura mais restritiva da política monetária doméstica ofereceu suporte à moeda brasileira ao longo das negociações", avaliou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

No exterior, dólar sobe com Treasuries e payroll

No exterior, o dólar ganhou força com o avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, em meio à expectativa pelo relatório oficial de empregos, o payroll de julho, divulgado nesta sexta-feira (7).

Os economistas consultados pela Reuters esperam que o payroll mostre 80.000 contratações em julho, um aumento em relação às 57.000 de junho, e que a taxa de desemprego se mantenha em 4,2%.

Além disso, a notícia de que o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Kevin Warsh, está disposto a elevar os juros na reunião de setembro, caso os dados de inflação voltem a piorar, deu suporte ao dólar ante moedas fortes.

O que isso significa para o seu bolso?

Para quem investe em renda fixa, a Selic em 14% ao ano ainda oferece retornos atrativos, mas o ciclo de cortes indica que as taxas devem cair gradualmente. Para quem viaja ou compra em dólar, a moeda abaixo de R$ 5,11 pode ser uma janela, mas o cenário externo segue incerto.

Dólar PTAX: referência para contratos e investimentos

O dólar PTAX de venda, calculado pelo Banco Central, fechou em R$ 5,1017 em 06/08/2026, próximo do câmbio à vista. Esse indicador é usado como referência em contratos futuros e em alguns investimentos.

Perguntas Frequentes

O dólar vai continuar caindo?

A tendência de curto prazo depende do cenário externo, especialmente da política do Fed e dos dados de emprego dos EUA. A alta do petróleo e a leitura do Copom deram suporte ao real, mas incertezas permanecem.

Como a Selic afeta o dólar?

Quando o Copom corta a Selic, a rentabilidade dos títulos brasileiros diminui, o que pode reduzir o fluxo de capital estrangeiro. Mas, neste caso, o corte já era esperado e o real foi beneficiado por outros fatores, como o petróleo.

O que é o DXY?

O DXY é um indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra. Quando o DXY sobe, o dólar se fortalece no exterior.

Vale a pena comprar dólar agora?

Depende do seu objetivo. Para quem precisa de dólar para viagem ou compras, a cotação abaixo de R$ 5,11 pode ser interessante. Para investidores, é importante acompanhar o cenário de juros nos EUA e no Brasil.

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