Economia

Dólar cai para R$ 5,08 e bolsa recua pela quarta vez consecutiva

ResumoO dólar comercial fechou a R$ 5,089, com queda de 0,42%, impulsionado pelos juros altos e pela valorização do petróleo. O Ibovespa recuou 0,20%, registrando a quarta sessão consecutiva de perdas. A cautela nos mercados foi renovada após declarações do presidente americano.

O dólar fechou em queda de 0,42%, cotado a R$ 5,089, enquanto o Ibovespa recuou 0,20%, acumulando a quarta sessão consecutiva de perdas. O real foi favorecido pelos juros altos e pela valorização do petróleo, mas a cautela voltou após declarações do presidente americano.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 21 de julho de 2026
Dólar cai para R$ 5,08 e bolsa recua pela quarta vez consecutiva

O dólar comercial fechou em queda de 0,42% nesta quarta-feira (22), cotado a R$ 5,089, segundo dados do Banco Central. A moeda americana acumula desvalorização de 1,42% em julho e de 7,28% em 2026. O Ibovespa, por sua vez, recuou 0,20%, aos 173.371,35 pontos, registrando a quarta sessão consecutiva de baixa.

O movimento do câmbio foi sustentado por dois fatores principais: a elevada diferença de juros entre Brasil e Estados Unidos, que mantém atrativo o carry trade, e a valorização do petróleo, que melhora a perspectiva de entrada de dólares via exportações. A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho, com exportações crescendo 6,7% no mês, impulsionadas pela indústria extrativa.

O que fez o dólar cair para R$ 5,08?

A moeda americana abriu o pregão acima de R$ 5,11, mas passou a recuar após a confirmação de que mediadores internacionais apresentaram propostas para reduzir as tensões entre Estados Unidos e Irã. A notícia diminuiu a procura global por ativos considerados mais seguros, como o dólar, favorecendo moedas de países emergentes.

O real foi beneficiado também pela dinâmica dos juros. A diferença entre a taxa básica brasileira e a americana continua elevada, o que torna o Brasil um destino atrativo para operações de carry trade, estratégia em que investidores captam recursos em países de juros baixos para aplicar em mercados com taxas mais altas. Esse fluxo de capital estrangeiro pressiona o dólar para baixo.

Outro fator de suporte foi o petróleo. O Brent, referência para a Petrobras, avançou 1,27%, para US$ 89,22 o barril, depois de superar brevemente os US$ 91 durante a sessão. O WTI subiu 0,85%, para US$ 82,48. A commodity oscilou ao longo do dia: perdeu parte dos ganhos após o Irã confirmar que recebeu propostas de mediação, mas voltou a subir depois que o presidente americano, Donald Trump, prometeu responder com mais intensidade a novos ataques contra militares dos EUA.

Por que a bolsa caiu pela quarta vez?

O Ibovespa chegou a superar os 174 mil pontos pela manhã, impulsionado pela expectativa de retomada das negociações entre EUA e Irã. No entanto, perdeu força ao longo da tarde após Trump endurecer o discurso contra Teerã, aumentando novamente a cautela nos mercados.

A alta das ações da Petrobras, favorecida pelo avanço do petróleo, não foi suficiente para compensar a queda de ações de mineradoras. O setor mineral, que tem peso relevante no índice, pressionou o Ibovespa para baixo, levando ao quarto pregão consecutivo de perdas.

O papel do petróleo e do Oriente Médio

Os contratos internacionais de petróleo fecharam em alta, mas o dia foi marcado por oscilações. O Brent chegou a superar US$ 91, enquanto o WTI também testou máximas, antes de devolver parte dos ganhos.

O mercado de petróleo continua sensível às tensões geopolíticas. As restrições ao tráfego marítimo na região do Estreito de Ormuz e as novas ameaças dos houthis de bloquear rotas no Mar Vermelho permanecem no radar, alimentando preocupações com a oferta global. A commodity voltou a subir depois que Trump prometeu responder com mais intensidade a novos ataques contra militares americanos.

Impacto para o investidor: o que observar?

Para quem acompanha o mercado, o cenário combina fatores domésticos e externos. Do lado de cá, os juros altos continuam atraindo capital estrangeiro, o que sustenta o real e pode abrir espaço para novas quedas do dólar. Do lado de lá, o conflito no Oriente Médio e as declarações de Trump adicionam volatilidade, especialmente para o petróleo e para ações ligadas a commodities.

A trajetória do câmbio também depende da evolução da balança comercial. O superávit de US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho, com exportações crescendo 6,7%, mostra que o setor externo brasileiro segue contribuindo para a entrada de dólares. A indústria extrativa, impulsionada pelo petróleo e minério, tem sido o principal motor.

Perguntas Frequentes

O dólar vai continuar caindo?

Não é possível afirmar com certeza. A queda recente foi impulsionada por juros altos e petróleo em alta, mas declarações de Trump e tensões no Oriente Médio podem reverter o movimento rapidamente.

Por que o Ibovespa caiu mesmo com o dólar em baixa?

O índice foi pressionado por ações de mineradoras, que têm peso relevante. A alta da Petrobras, impulsionada pelo petróleo, não foi suficiente para compensar as perdas do setor mineral.

O que é carry trade e como afeta o real?

Carry trade é a estratégia de captar recursos em países com juros baixos e aplicar em mercados com taxas mais altas. A diferença de juros entre Brasil e EUA torna essa operação atrativa, trazendo dólares para o país e pressionando a moeda americana para baixo.

Como o petróleo influencia o dólar no Brasil?

A valorização do petróleo melhora a perspectiva de exportações brasileiras, aumentando a entrada de dólares no país. Isso fortalece o real e contribui para a queda do dólar.

O que pode fazer o dólar subir novamente?

Novas escaladas no conflito entre EUA e Irã, declarações agressivas de Trump ou surpresas negativas na economia doméstica podem aumentar a aversão ao risco e pressionar o câmbio para cima.

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