Dólar avança e volta a R$ 5,20: quatro motivos do movimento
O dólar à vista avançou 0,83% nesta segunda-feira (14) e voltou à casa dos R$ 5,20, pressionado por fatores domésticos e externos. Entenda os quatro motivos que explicam o movimento da moeda.
O dólar à vista ganhou força nesta segunda-feira (14) e voltou ao nível próximo de R$ 5,20, com uma combinação de fatores domésticos e externos. Por volta de 11h50 (horário de Brasília), a divisa avançava 0,83%, a R$ 5,1680. Mais cedo, chegou a ser cotada a R$ 5,1830 (+1,12%), segundo a fonte original.
O dólar à vista subiu 0,83% nesta segunda-feira (14) e voltou ao nível próximo de R$ 5,20. Quatro motivos explicam o movimento: trade eleitoral, alta do petróleo, avanço dos Treasuries e aposta em alta de juros pelo Federal Reserve.
Os quatro motivos do avanço
O primeiro vem do exterior. No mesmo horário, o indicador DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes como euro e libra, subia 0,47%, aos 99,588 pontos.
A pressão doméstica vem do trade eleitoral. Os recentes desdobramentos do Caso Master e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) concentram as atenções dos investidores, com possíveis informações sobre o escândalo envolvendo o filme 'Dark Horse' e o candidato Flávio Bolsonaro (PL). O senador tem ganhado favoritismo no mercado financeiro: casas como Mar Asset, Ace Capital, Ibiuna Investimentos e Ativa Investimentos têm apontado Flávio como possível vencedor das eleições à Presidência.
As pesquisas, porém, seguem mostrando disputa acirrada. A BTG Pactual/Nexus apontou Lula voltando a superar numericamente o senador, com 47% a 46% em um eventual segundo turno. A Quaest mostrou avanço de Flávio: Lula tem 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro 42%. O presidente perdeu 1 ponto ante levantamento anterior, enquanto o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro cresceu 1 ponto nas intenções registradas há uma semana, quando ambos tinham 41%.
O terceiro motivo é externo: a disparada do petróleo. O barril do Brent, referência para o mercado internacional, opera próximo a US$ 110 por barril após novos ataques do Irã atingirem um oleoduto da Arábia Saudita no Estreito de Ormuz, resultando na interrupção do escoamento do óleo e no adiamento de uma reunião entre países do Golfo Pérsico para discutir a rota temporária da via marítima.
O quarto fator é a busca por proteção em Treasuries. O rendimento do Treasury de 10 anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, superou a marca psicológica de 5% nesta manhã, no maior nível desde meados de 2023. O mercado também consolidou a aposta de alta nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) na próxima quarta-feira (16), depois de dados de inflação mais fortes do que o esperado. Hoje, o mercado precifica quase 90% de chance de um ajuste de 0,25 ponto percentual para cima no Fed Funds, levando os juros para a faixa de 3,75% a 4,00%.
Quanto mais o Fed sobe os juros, melhor para o dólar, que se torna comparativamente mais atrativo à medida que os rendimentos dos Treasuries avançam, reduzindo o apetite por risco em outros mercados como o Brasil. "Uma mensagem de rigor na política monetária por parte do Fed na quarta-feira pode ajudar a reconstruir gradualmente a correlação positiva entre o dólar e os rendimentos dos Treasuries, permitindo que a moeda americana funcione de maneira mais eficiente como ativo de proteção", avalia Francesco Pesole, estrategista de câmbio do ING. Para ele, o DXY deve se manter na faixa de 99,50 a 100 pontos no curto prazo.
"A moeda ainda tem espaço para acompanhar a elevação das taxas na ponta curta da curva, enquanto o Fed pode manter um tom hawkish diante da demanda do mercado de títulos por credibilidade da política monetária e da recente alta dos preços de energia", acrescenta Pesole.
O que pressiona a bolsa
Os fatores que dão fôlego ao dólar no mercado à vista também pressionam os principais índices acionários. O Ibovespa tinha recuo de 1,13%, aos 185.088,16 pontos, por volta de 11h55. O iShares MSCI Brazil (EWZ), ETF negociado na Bolsa de Nova York (NYSE) que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro, operava com queda de quase 2% desde o início do pregão, com piora do humor global.
Em Wall Street, o S&P 500 caía 0,83% (7.595,91 pontos), o Dow Jones tinha baixa de 0,52% (52.306,10 pontos) e o Nasdaq recuava 1,04% (26.062,579 pontos). Por lá, a pressão também vem da renovação de cautela com o setor de tecnologia focado em inteligência artificial (IA).
Para quem acompanha o câmbio de perto, o dólar PTAX de venda vinha em trajetória mais comportada nos dias anteriores, segundo o Banco Central: R$ 5,0918 em 11/09/2026, R$ 5,1149 em 10/09/2026 e R$ 5,0979 em 09/09/2026. O avanço desta segunda interrompe essa sequência e recoloca a moeda na casa dos R$ 5,20, nível que exige atenção de quem tem exposição a ativos internacionais ou dívidas em moeda estrangeira. como o dólar afeta seus investimentos