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Dólar avança R$ 5,12 à espera do Fed e com baixa do petróleo

O dólar à vista voltou a ganhar força frente ao real nesta terça-feira (28), fechando a R$ 5,1223, uma alta de 0,20%. O movimento acontece em um dia de expectativa pela decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e de mais uma sessão de perdas do petróleo no mercado internacional.

O que explica a alta do dólar hoje? Basicamente, dois fatores pesaram: a espera pelo comunicado do Fed, que sai amanhã, e a queda expressiva do petróleo Brent, que recuou 4,41%, a US$ 82,08 o barril. Para quem tem investimentos atrelados ao câmbio ou planeja viajar, a cotação já mostra impacto direto no bolso.

Por que o dólar subiu mesmo com o exterior negativo?

O movimento do dólar por aqui destoou do que aconteceu no exterior. O DXY, índice que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, recuava 0,14% por volta das 17h, aos 101.393 pontos. Ou seja, a moeda americana se enfraquecia lá fora, mas ganhava força no Brasil.

A explicação está na expectativa local pela decisão do Fed. O mercado de câmbio brasileiro seguiu atento às apostas para a reunião de julho. Segundo a ferramenta Fed Watch, do CME Group, a probabilidade de manutenção da taxa de juros nos Estados Unidos é de 68,5%. Já para setembro, a chance de uma alta é de 76,2%.

Na prática, juros mais altos nos EUA tendem a atrair capital estrangeiro, fortalecendo o dólar globalmente. Mas, como o mercado já precifica essa possibilidade, o real sentiu o peso da cautela.

Petróleo em queda: o que está por trás?

O petróleo Brent, referência internacional, fechou em forte baixa de 4,41%, a US$ 82,08 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Já o West Texas Intermediate (WTI), negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), caiu 4,06%, a US$ 79,26 o barril.

A pressão veio de novos desdobramentos geopolíticos. O Irã propôs a Omã um acordo temporário para reabrir o Estreito de Ormuz. A proposta prevê que um sentido do tráfego passaria por águas iranianas, e parte do trajeto oposto também se situaria em águas iranianas, segundo afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, à televisão estatal nesta terça-feira.

Gharibabadi afirmou que Teerã rejeitou uma proposta de Omã para uma divisão igualitária das rotas de trânsito entre os dois países, argumentando que o plano não atendia às preocupações de segurança de Teerã enquanto não fosse alcançada a estabilidade regional de longo prazo.

Ele ainda disse que o Estreito de Ormuz permaneceria fechado caso Omã rejeitasse a proposta iraniana, acrescentando que Teerã nunca reconheceu a rota sul ao longo da costa de Omã.

Ameaças e negociações: o jogo de xadrez entre EUA e Irã

Do lado norte-americano, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que houve boas negociações com o Irã, mas reiterou ameaças de atacar a Montanha Pickaxe, bem como pontes e usinas de energia iranianas, caso não seja fechado um acordo com Teerã. Em entrevista à Fox News, Trump disse que gostaria de evitar atacar as pontes e usinas de energia do Irã, se possível.

Mais cedo, Trump se reuniu com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, que busca o apoio de Trump para ser reeleito. O encontro adiciona mais um capítulo à complexa dinâmica geopolítica da região.

O que esperar da decisão do Fed?

O analista de investimentos da Nomad, Luca Girardi, avalia que o cenário geopolítico segue incerto, mesmo com a interrupção dos ataques no Irã e as expectativas quanto a um acordo. As atenções se voltam para a decisão de amanhã do Fed, com cerca de 30% das expectativas do mercado monitoradas pela CME apontando para uma elevação de juros já nesta reunião.

Uma alta de juros nos EUA tende a pressionar ainda mais o câmbio, encarecendo o dólar. Para quem tem dívida em moeda estrangeira ou investe em ativos atrelados ao dólar, a volatilidade é um alerta.

Como a alta do dólar afeta seu dia a dia?

A cotação do dólar influencia diretamente o preço de produtos importados, como eletrônicos, combustíveis e até alimentos. Com o dólar em alta, a tendência é que esses itens fiquem mais caros. Para quem planeja viajar para o exterior, o câmbio desfavorável encarece a viagem.

Por outro lado, quem tem investimentos em dólar ou recebe rendimentos em moeda estrangeira pode se beneficiar. Mas, para a maioria dos brasileiros, o movimento de alta do dólar é um sinal de atenção para o orçamento.

Perguntas Frequentes

O dólar vai continuar subindo?

A trajetória do dólar depende de múltiplos fatores, como a decisão do Fed, o cenário geopolítico e os preços do petróleo. O mercado segue atento, e a volatilidade deve continuar.

Qual a cotação do dólar hoje?

O dólar à vista fechou a R$ 5,1223 nesta terça-feira (28), em alta de 0,20%. O dólar PTAX de venda, segundo o Banco Central, foi de R$ 5,1177.

O que é o Fed Watch?

É uma ferramenta do CME Group que monitora as expectativas do mercado para a taxa de juros dos Estados Unidos, com base nos contratos futuros.

Como a queda do petróleo afeta o dólar?

A queda do petróleo pode reduzir a pressão inflacionária global, mas também sinaliza incerteza econômica. No curto prazo, o movimento de aversão ao risco pode fortalecer o dólar.

O que é o DXY?

O DXY é um índice que mede o valor do dólar americano em relação a uma cesta de seis moedas principais: euro, iene, libra, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço.

Dólar fecha em alta com expectativa de juros nos EUA Petróleo Brent cai com incertezas geopolíticas

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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