Economia

Desinflação mais cedo leva XP a cortar projeção da Selic de 14% para 13,25%

ResumoA XP Investimentos reduziu a projeção da taxa Selic para 13,25% ao final de 2026, ante 14%, devido à desinflação antecipada e à atividade econômica fraca. A revisão reflete expectativa de ciclo de cortes mais cedo pelo Banco Central. O consumidor pode enfrentar juros menores em financiamentos, mas com impacto gradual na renda.

A XP cortou a projeção da Selic para 13,25% no fim de 2026, ante 14%, citando desinflação antecipada e atividade fraca. Entenda o impacto para o consumidor.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 27 de agosto de 2026
Desinflação mais cedo leva XP a cortar projeção da Selic de 14% para 13,25%

A XP deixou de esperar uma pausa no ciclo de cortes da Selic e passou a projetar a taxa básica em 13,25% ao fim de 2026, ante 14% na estimativa anterior. A revisão, divulgada na noite de quarta-feira (26), saiu após o IPCA-15, que mostrou desinflação mais rápida que o esperado. Para o consumidor, a notícia sinaliza alívio no crédito, mas o efeito prático ainda depende das próximas decisões do Copom.

A corretora é a primeira entre as principais instituições a revisar a projeção após o IPCA-15. Em relatório, o time liderado pelo economista-chefe Caio Megale explica que a desaceleração da atividade e a desinflação chegaram antes do previsto, enfraquecendo o argumento para interromper a queda dos juros. A XP agora espera novo corte de 0,25 ponto na reunião de setembro, com a Selic encerrando o ano em 13,25%, uma queda de 0,75 ponto até dezembro.

Os dados de alta frequência mostram fraqueza disseminada: produção industrial, receita de serviços e vendas no varejo vieram abaixo do esperado. O comprometimento de renda das famílias está em máximas históricas, acima de 28%, segundo dados do Banco Central citados no relatório. Para o PIB, a XP projeta alta de 0,3% no terceiro trimestre, com viés baixista, e crescimento de 2,0% em 2026, contra 1,0% em 2027.

A inflação ao consumidor perdeu força. Na média móvel de três meses anualizada, o IPCA-15 caiu de 7,24% em junho para 4,71% em julho e 2,70% em agosto. Os núcleos recuaram de 4,94% para 3,87% no mesmo período. Para a XP, o Copom deve incorporar um crescimento mais fraco em 2027 e acelerar os cortes para 0,50 ponto a partir de março. Os riscos seguem: El Niño pode pressionar alimentos, e o diesel abaixo da paridade internacional pode ser realinhado após as eleições.

A revisão completa sai no relatório Brasil Macro Mensal de 4 de setembro. projeção da Selic para 2027 impacto da desinflação no crédito

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