Economia

Déficit comercial dos EUA sobe 24,4% em julho; veja efeitos

ResumoO déficit comercial dos Estados Unidos registrou alta de 24,4% em julho, totalizando US$ 88,6 bilhões, impulsionado por importações recordes de bens de capital. O aumento do déficit tende a reduzir a contribuição do comércio exterior para o PIB americano no terceiro trimestre. A expansão das compras externas norte-americanas pode intensificar pressões sobre cadeias globais de suprimento e afetar parceiros comerciais como China e México.

O déficit comercial dos EUA subiu 24,4% em julho, para US$ 88,6 bilhões, com importações recordes de bens de capital. Entenda o impacto no PIB e no comércio global.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 03 de setembro de 2026
Déficit comercial dos EUA sobe 24,4% em julho; veja efeitos

O déficit comercial dos Estados Unidos aumentou 24,4% em julho, para US$ 88,6 bilhões, segundo o Escritório de Análise Econômica e o Census Bureau do Departamento de Comércio. Economistas consultados pela Reuters previam um déficit de US$ 90,0 bilhões. A demanda interna forte, com gastos de consumidores e investimentos empresariais em inteligência artificial, impulsionou as importações, fazendo o comércio pesar novamente sobre o crescimento econômico no terceiro trimestre.

As importações subiram 2,8% em julho, para US$ 399,3 bilhões. As de bens avançaram 3,7%, para US$ 320,6 bilhões, com destaque para bens de capital, que saltaram US$ 14,4 bilhões e atingiram recorde de US$ 140,3 bilhões, refletindo fortes compras de computadores, acessórios de informática e chips, provavelmente ligadas à expansão da IA. Já as importações de suprimentos e materiais industriais, incluindo petróleo, caíram US$ 1,8 bilhão, com o petróleo bruto recuando US$ 1,8 bilhão em meio à queda nos preços.

As exportações diminuíram 2,1%, para US$ 310,7 bilhões, com as remessas de bens caindo 3,0%, para US$ 201,0 bilhões. A queda foi puxada por um declínio de US$ 8,7 bilhões nos suprimentos e materiais industriais, principalmente petróleo bruto e ouro não monetário, que é excluído do cálculo do PIB. Por outro lado, as exportações de bens de capital aumentaram US$ 1,9 bilhão, e as de bens de consumo subiram US$ 1,7 bilhão, impulsionadas por produtos farmacêuticos.

O déficit comercial de bens cresceu 17,3% em julho, para US$ 119,6 bilhões. Ajustado pela inflação, o déficit de bens subiu 12,7%, para US$ 106,4 bilhões. O comércio subtraiu 1,14 ponto percentual do crescimento do PIB no trimestre de abril a junho, período em que a economia dos EUA expandiu a uma taxa anualizada de 1,5%.

Para quem acompanha a economia global, o dado sinaliza que a demanda americana segue forte, mas beneficiando mais fornecedores externos do que a produção doméstica. Isso pode pressionar o PIB no terceiro trimestre, mas também indica resiliência do consumo, fator que tende a sustentar mercados emergentes exportadores, como o Brasil. impacto do comércio exterior nos investimentos como a economia dos EUA afeta o câmbio

O cenário reforça a leitura de que a inteligência artificial segue como motor de investimento, tanto nos EUA quanto em cadeias globais de suprimento. Para o investidor brasileiro, o acompanhamento desses números ajuda a antecipar movimentos de moedas e commodities, já que o petróleo e o minério respondem a variações na atividade americana.

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