EUA e visto de embaixadora: Planalto vê razões ideológicas
Decisão dos EUA sobre visto de embaixadora se dá por razões ideológicas, diz Planalto
O Palácio do Planalto afirmou nesta terça-feira que a decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, faz parte de uma escalada motivada por questões ideológicas. Segundo a nota oficial, fica "óbvio" o interesse norte-americano em interferir nas eleições presidenciais brasileiras.
O que diz a nota do Planalto
Em nota divulgada na noite desta terça-feira, o Planalto declarou: "A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo". O texto também afirma que "fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente".
O argumento dos EUA
Os EUA justificaram a revogação do visto da embaixadora sob dois argumentos: o Brasil ainda não concedeu a aprovação diplomática formal, o chamado agrément, ao embaixador indicado pelo governo Trump para Brasília, e houve negativa de vistos a diplomatas norte-americanos.
O Planalto, porém, repudia a decisão: "O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo Departamento de Estado dos EUA de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington. As duas justificativas apresentadas são falsas".
O que é o agrément e por que ele importa
O agrément é a aprovação formal que um país dá ao indicado de outro para ser embaixador. Sem ele, o diplomata não pode assumir o posto. O Planalto afirma que segue estritamente o direito internacional, que não há prazo para a concessão do agrément e que o pedido norte-americano ainda está em análise.
O caso dos vistos negados
Sobre os dois funcionários que tiveram o visto negado, a nota do Planalto diz que a decisão foi tomada porque eles estariam planejando colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa de interferir no processo político nacional.
Reunião de manhã
Nesta manhã, o presidente brasileiro se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com o assessor especial Celso Amorim. A reunião ocorreu antes do anúncio norte-americano, mas o Planalto já vinha monitorando o caso.
O que esperar daqui para frente
A resposta brasileira foi dura, mas o Planalto não anunciou retaliações imediatas. A análise do agrément continua em aberto, e o governo brasileiro mantém a posição de que as justificativas americanas são falsas. Para quem acompanha relações internacionais, o caso é um teste importante para a parceria bilateral, que historicamente foi pautada pelo respeito mútuo.
Perguntas Frequentes
Por que os EUA revogaram o visto da embaixadora?
Os EUA alegam que o Brasil não concedeu o agrément ao novo embaixador indicado por Trump e que diplomatas americanos tiveram vistos negados. O Planalto nega as justificativas.
O que é agrément?
É a aprovação formal que um país dá ao embaixador indicado por outro. Sem ele, o diplomata não pode assumir o posto.
O Planalto vai retaliar?
A nota repudia a decisão e classifica as justificativas como falsas, mas não anuncia medidas específicas de retaliação.
A decisão afeta as eleições brasileiras?
O Planalto afirma que a medida demonstra interesse dos EUA em interferir nas eleições presidenciais, mas não apresenta provas adicionais na nota.
relações bilaterais Brasil-EUA agrément e diplomacia