Datafolha: 28% defendem impeachment de Moraes; 12% Mendonça
Levantamento do Datafolha divulgado neste sábado aponta que 28% dos brasileiros defendem impeachment de Alexandre de Moraes e 12% querem o mesmo para André Mendonça. Recorte por voto presidencial expõe divisão entre campos políticos.
Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12) mostra que 28% dos brasileiros defendem a abertura de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. No caso de André Mendonça, 12% apoiam a mesma medida. O levantamento foi feito em meio ao agravamento do confronto entre os dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em torno das investigações sobre o Banco Master.
O afastamento temporário enquanto as apurações avançam tem apoio maior que o impeachment. Para Moraes, 34% defendem que ele deixe o cargo durante a investigação. Em relação a Mendonça, esse percentual chega a 37%.
Outros 13% dizem que Moraes deveria renunciar. Só 7% afirmam não identificar irregularidade em sua atuação, enquanto 5% consideram que não houve problema porque as provas obtidas por Mendonça teriam sido reunidas de forma ilegal. No caso de Mendonça, 25% dizem que ele não cometeu irregularidades e 11% defendem sua renúncia.
O que o recorte por voto presidencial revela
A leitura sobre a crise está fortemente associada ao posicionamento político dos entrevistados. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 50% defendem o impeachment de Moraes. Entre os apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o percentual cai para 9%.
Com Mendonça ocorre movimento inverso. Entre os eleitores de Flávio, 48% afirmam que o ministro não cometeu irregularidades. Entre os eleitores de Lula, 49% defendem seu afastamento temporário.
Os dados mostram que, embora a crise tenha tido impacto limitado sobre a intenção de voto, ela é interpretada de maneira bastante diferente pelos dois principais campos eleitorais. Para quem acompanha finanças pessoais, a leitura prática é direta: crise institucional costuma mexer com prêmio de risco, câmbio e humor do mercado antes de qualquer efeito concreto no bolso. Não é motivo para decisão de investimento tomada no calor da manchete.
A tensão aumentou depois da divulgação de informações sobre contatos de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e passou a incluir questionamentos sobre a forma como Mendonça conduziu apurações relacionadas ao caso. A pesquisa foi realizada em meio a esse agravamento.
O Datafolha ouviu 2.002 pessoas em 125 cidades entre 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-01833/2026. como crise política afeta investimentos