Economia

Cruzar um rio sem roupa: decisões do Grupo Águia Branca

ResumoO Grupo Águia Branca, liderado pelo CEO Kaumer Chieppe, completou 80 anos em 2026 combinando ousadia e prudência para atravessar crises como hiperinflação e a pandemia de Covid-19. A família Chieppe transformou a crise sanitária em oportunidade de expansão, mantendo a gestão familiar à frente do conglomerado capixaba de logística e transporte.

Em 80 anos, o Grupo Águia Branca combinou ousadia e prudência para atravessar crises como hiperinflação e pandemia. O CEO Kaumer Chieppe conta como a família Chieppe transformou a Covid-19 em oportunidade.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 14 de setembro de 2026
Cruzar um rio sem roupa: decisões do Grupo Águia Branca

O Grupo Águia Branca completa 80 anos em 2026 com uma trajetória marcada por decisões ousadas e gestão familiar. O CEO Kaumer Chieppe resume o espírito da empresa com uma história do pai, que era motorista de ônibus: para dormir, ele precisou atravessar um rio de canoa. Ao acordar, o barco estava na outra margem. "Meu pai ficou pelado, botou a roupa na cabeça, atravessou o rio, se vestiu e foi fazer o horário", conta Kaumer. "Isso mostra um pouco a nossa disposição para superar a dificuldade. Se está ali, é para ser superado".

Segundo Kaumer Chieppe, CEO do Grupo Águia Branca, o segredo para atravessar 80 anos de crises, incluindo hiperinflação e pandemia, foi combinar ousadia e prudência na gestão familiar. A empresa atua em três frentes: transporte de passageiros, logística e concessionárias de automóveis e máquinas agrícolas.

"Não dá pra você pisar no acelerador e achar que vai dar tudo certo. Tem que ter muito cuidado com isso. Se for uma pessoa empreendedora, que tenha alguém importante do financeiro pra segurar", afirma Kaumer. No grupo, perfis mais agressivos convivem com perfis mais conservadores, e ambos têm poder de decisão. "Alguém sozinho não faz nada", diz.

A pandemia de Covid-19 foi um dos momentos mais críticos. "No primeiro momento foi um pânico contido", lembra Kaumer. O transporte de passageiros sofreu imediatamente: alguns estados proibiram a circulação de ônibus; onde foi permitido, quase não havia passageiros. Mas a crise abriu uma brecha. Fábricas, usinas siderúrgicas e produtoras de celulose precisavam continuar operando e transportar trabalhadores. Com a regra de distanciamento, cada ônibus só podia levar metade da capacidade. A demanda dobrou.

"A demanda por ônibus nas fábricas dobrou, enquanto o transporte público estava parado", afirma Kaumer. "Então pegamos os ônibus da Viação Águia Branca para atender os contratos da nossa área de logística. Conseguimos".

Na área de concessionárias, a empresa nadou contra a corrente. Quando o mercado entrou em pânico e outras empresas pararam de comprar veículos, o Grupo Águia Branca aumentou os pedidos. "Chegamos na fábrica e falamos: pode passar, que eu quero, quero, quero", conta Kaumer. Quando a demanda voltou, o grupo estava abastecido. "Foi uma estratégia. Soubemos aproveitar a oportunidade".

Em 80 anos, o grupo acumulou um manual informal de gestão de crises: conservadorismo financeiro, diversificação de negócios e disposição para correr riscos calibrados. Ao colocar o pé em três canoas, a família Chieppe conseguiu navegar.

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