Economia

Crise no STF chega à eleição; PT descola Moraes de Lula

ResumoA crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal passou a influenciar a campanha eleitoral de 2026. Diante do adiamento da análise sobre Moraes, a campanha de Lula busca desvincular a imagem do presidente da do ministro e transferir o caso Banco Master para o campo adversário.

Após o STF adiar a análise sobre Alexandre de Moraes, a campanha de Lula mudou de rota: agora, a prioridade é descolar a imagem do ministro da do presidente e empurrar o caso Banco Master para o campo adversário.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 16 de setembro de 2026
Crise no STF chega à eleição; PT descola Moraes de Lula

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou de rota diante da crise no Supremo Tribunal Federal. Depois de o STF encerrar a sessão desta terça-feira (15) sem decidir se abre investigação sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, aliados do presidente passaram a explorar a trajetória política e profissional do ministro para rebater a associação entre ele e Lula.

O pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a análise antes de o plenário decidir se Moraes deve ser investigado. A regra prevê prazo de até 90 dias. O STF deve voltar ao tema no dia 23, quando estão previstos questionamentos sobre a atuação do ministro no caso Master, sua relação com Vorcaro e a decisão que afastou o comando da Polícia Federal.

Antes do adiamento, a leitura dentro da campanha era outra. Uma eventual autorização para investigar o ministro poderia recolocar o caso na discussão eleitoral e reforçar o discurso de que o governo não pretende abafar nenhuma situação, independentemente do personagem envolvido. Com a suspensão, a avaliação mudou: a percepção agora é que a crise não oferece cenário favorável ao presidente.

A prioridade passou a ser impedir que o episódio seja lido como problema do governo ou da campanha petista. A defesa pública de uma investigação ampla sobre o Banco Master integra essa resposta.

A biografia de Moraes fornece os principais argumentos para o distanciamento. Ele foi indicado por Michel Temer (MDB) para a vaga aberta com a morte de Teori Zavascki, em fevereiro de 2017, quando ocupava o Ministério da Justiça. Tomou posse no STF no mês seguinte. Antes disso, ocupou cargos em São Paulo: foi secretário de Justiça e Defesa da Cidadania entre 2002 e 2005, durante uma gestão de Geraldo Alckmin, e secretário estadual de Segurança Pública entre 2015 e 2016, também sob o então governador tucano. Moraes era filiado ao PSDB quando foi escolhido por Temer para o Supremo.

A aproximação de sua imagem com a esquerda ocorreu depois, sobretudo pela atuação nos inquéritos sobre ataques às instituições, milícias digitais e nos processos relacionados aos atos de 8 de Janeiro. Essa atuação transformou o ministro em alvo frequente de Jair Bolsonaro e de seus aliados. A campanha de Lula pretende usar essa cronologia para contestar a caracterização de Moraes como um ministro ligado ao petista.

A estratégia já foi colocada em prática. Lula elevou o tom na noite de terça-feira. Em entrevista à Record, afirmou que as suspeitas relacionadas ao Master devem ser esclarecidas independentemente de quem esteja envolvido. "Não tem trégua, é preciso investigar todos, sem distinção", disse o presidente. Lula afirmou ainda que Fachin tem condições de esclarecer as relações de integrantes da Corte com o escândalo depois da abertura de informações que estavam sob sigilo. Também criticou a forma como André Mendonça administrou informações do caso e cobrou do Judiciário resposta capaz de recuperar a confiança da sociedade.

Outra frente será a cronologia do Banco Master, com o objetivo de afastar a crise da administração federal e disputar a narrativa sobre quem está politicamente exposto pelas revelações envolvendo Vorcaro. Parlamentares da esquerda já direcionam a discussão para Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) cobrou a divulgação, antes do primeiro turno, de informações das investigações relacionadas ao candidato do PL. "O único candidato a presidente metido até o último fio de cabelo no escândalo do Banco Master é Flávio Bolsonaro. Este precisa ter o sigilo quebrado e os dados divulgados antes do dia 4 de outubro", escreveu no X. O ex-deputado Ivan Valente (PSOL-SP) seguiu linha semelhante e afirmou que o foco sobre Moraes estaria sendo usado para reduzir a atenção sobre as suspeitas envolvendo Flávio.

A crise do STF entrou na campanha a menos de três semanas do primeiro turno. Para o entorno de Lula, o desafio imediato é reduzir a identificação política entre o presidente e Moraes, enquanto aliados procuram deslocar o debate sobre o Banco Master para as conexões do caso com o candidato do PL.

Leia também

Publicidade