Economia

Cadeia produtiva da cachaça cresce 21% no Brasil em 2025

ResumoA cadeia produtiva da cachaça no Brasil alcançou 1.583 estabelecimentos em 2025, registrando crescimento de 21% em relação a 2024. O avanço impacta positivamente o emprego, as exportações e os padrões de segurança do produto. A expansão reflete a formalização do setor e a maior demanda interna e externa pela bebida.

O Brasil registrou 1.583 estabelecimentos na cadeia produtiva da cachaça em 2025, alta de 21% sobre 2024. Veja o impacto no emprego, exportações e na segurança do que você consome.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 03 de agosto de 2026
Cadeia produtiva da cachaça cresce 21% no Brasil em 2025

Cresce o número de estabelecimentos na cadeia produtiva da cachaça em 2025

O Brasil fechou 2025 com 1.583 estabelecimentos registrados na cadeia produtiva da cachaça, 272 a mais que no ano anterior. O crescimento de 21% é o maior desde 2018, segundo o Anuário da Cachaça, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) com elaboração da Secretaria de Defesa Agropecuária.

O número engloba quem produz a bebida, padroniza cor, aroma e paladar, envasas as garrafas e vende no atacado. Desde 2018, o total de estabelecimentos cresceu 61%. Para quem acompanha o setor, o salto recente sinaliza aquecimento, mas também levanta perguntas sobre a qualidade e a regularização do que chega à mesa.

Onde estão os estabelecimentos da cadeia da cachaça

A Região Sudeste concentra a maior parte dos registros: 961 estabelecimentos, puxados por Minas Gerais (564) e São Paulo (230). Mais de 62% dos fabricantes, padronizadores, envasadores e atacadistas atuavam naquele estado. A Região Sul tinha 277 estabelecimentos, com destaque para o Rio Grande do Sul (230). No Nordeste, funcionavam 211; no Centro-Oeste, 70; e no Norte, 19.

Em 844 municípios brasileiros, havia ao menos um estabelecimento da cadeia registrado pelo Mapa. Entre eles, Salinas (MG) liderava com 27 estabelecimentos, seguida por Alto Rio Doce (MG), na Zona da Mata, com 25, e Viçosa do Ceará, na Serra da Ibiapaba, com 24.

Emprego e exportação: os números que afetam sua decisão

A produção de cachaça manteve, em média, 6.232 postos de trabalho em 2025, o equivalente a 4,4% do total de empregos na indústria de fabricação de bebidas. É um recorte pequeno, mas relevante para economias locais, sobretudo em cidades do interior onde a atividade é âncora.

No mercado internacional, a bebida chegou a 76 países. As exportações somaram quase 8 milhões de litros em 2025, alta de 19,4% sobre 2024, com faturamento superior a 17 milhões. Os Estados Unidos foram o maior comprador em valores pagos; o Paraguai consumiu o maior volume, 1,34 milhão de litros.

Apesar do avanço, o presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Vicente Bastos, avalia que a exportação "continua em um patamar pouco expressivo, especialmente quando consideramos o tamanho do setor e o mercado internacional de destilados", conforme nota à imprensa.

O contraponto: produção declarada cai 15,77%

O mesmo anuário registra que o volume de produção declarado em 2025 foi de 234,48 milhões de litros, uma redução de 15,77% em relação ao ano anterior. O Ibrac assinala que, apesar do crescimento no número de estabelecimentos, produtos, marcas e exportações, a produção encolheu.

Esse contraste entre mais estabelecimentos e menos volume produzido sugere um setor em reestruturação, com mais players, mas produção média menor por unidade. Para o consumidor, o efeito prático pode aparecer na oferta e nos preços.

Registro no Mapa: a regra que protege sua saúde

O conjunto de estabelecimentos elaboradores de cachaça no Brasil tem 8.379 produtos registrados no Mapa. É ilegal produzir e comercializar aguardente sem autorização no ministério. A orientação oficial é consumir apenas cachaças que tenham no rótulo o número do registro no Mapa.

Produtos não registrados podem ter origem em fabricação clandestina e ser falsificados, como ocorreu entre setembro e dezembro de 2025 nas dezenas de casos de mistura e adulteração de bebidas destiladas com metanol. A intoxicação por bebidas adulteradas pode levar à morte, cegueira irreversível e falência dos rins, e é considerada emergência médica grave: não pode ser tratada em casa.

Para o Ministério da Saúde, não existe quantidade segura para o consumo de qualquer bebida alcoólica. Em caso de dependência, há tratamento gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS), nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS AD) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

O que isso significa para você

Se você consome cachaça, o crescimento da cadeia amplia a oferta de marcas e estilos, mas exige atenção redobrada: confira sempre o registro no Mapa no rótulo. Se você investe ou trabalha no setor, o dado de produção em queda sugere cautela antes de projetar expansão. O ciclo sempre vira, mas os números de 2025 mostram um mercado em transição, com mais estabelecimentos e menos litros declarados.

Para aprofundar, veja como verificar registro de cachaça no Mapa e impacto da exportação de destilados na economia local.

Perguntas Frequentes

Qual é o número de estabelecimentos na cadeia produtiva da cachaça em 2025?

O Brasil tinha 1.583 estabelecimentos registrados, 272 a mais que em 2024, alta de 21%.

Qual estado lidera em número de estabelecimentos de cachaça?

Minas Gerais lidera com 564 estabelecimentos, seguido por São Paulo (230).

Quanto o Brasil exportou de cachaça em 2025?

Foram quase 8 milhões de litros, alta de 19,4% sobre 2024, com faturamento superior a 17 milhões.

A produção de cachaça cresceu em 2025?

Não. O volume declarado foi de 234,48 milhões de litros, redução de 15,77% em relação a 2024.

Como saber se uma cachaça é legal?

Verifique se o rótulo contém o número do registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

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