Correios caminham para pior resultado da história em 2026
Os Correios caminham para encerrar 2026 com o pior resultado de sua história. No primeiro semestre, a estatal registrou prejuízo de R$ 5,5 bilhões, alta de 30,4% na comparação com igual período do ano passado. A expectativa do próprio governo é superar a perda recorde de R$ 8,5 bilhões de 2025, mesmo com a promessa de injeção bilionária da União em 2027.
Na proposta de lei orçamentária de 2027, enviada hoje ao Congresso, o governo garante aporte de R$ 6 bilhões para a estatal, sinal de que a crise está longe do fim. A alegação oficial é de que os Correios voltarão ao lucro em 2027. No segundo trimestre, o prejuízo foi de R$ 2,4 bilhões, 5,5% menor que o do mesmo período de 2025. A empresa atribui a melhora ao plano de reestruturação, com redução de despesas com pessoal e melhora do perfil da dívida.
Analistas ponderam que o problema estrutural permanece. "Apesar de o prejuízo ter caído no segundo trimestre, não dá para falar em avanço operacional", afirma Daniel Pecanka de Andrade, especialista em finanças. Ele ressalta que a margem bruta segue apertada: R$ 274,5 milhões no semestre, resultado de receita de R$ 7,9 bilhões menos o custo das entregas. É com essa diferença que a empresa paga despesas administrativas, comerciais e financeiras.
Pecanka lembra que a estatal ganhou fôlego após empréstimo de R$ 12 bilhões no ano passado, com garantia do Tesouro Nacional, mas o alívio foi temporário. A direção negocia novo empréstimo de R$ 7 bilhões em condições iguais. O custo com pessoal recuou 4,2% entre janeiro e junho, economia de R$ 233,7 milhões. O PDV já desligou 6.545 empregados, 2.767 neste semestre. Novo PDV foca no fechamento de mil postos.
Para o economista e ex-secretário de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, Fernando Soares, o plano é insuficiente. Ele defende corte drástico de despesas com pessoal e transformação dos Correios em estatal dependente. "Essa questão precisa ser enfrentada, o Executivo tem que abraçar e recorrer ao Judiciário", diz. O presidente Lula afirmou que não pretende vender a companhia.
Em nota conjunta, os ministros Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), Esther Dweck (Gestão) e Bruno Moretti (Planejamento) afirmam que o objetivo é dar estabilidade à empresa. O balanço mostra alongamento da dívida de 18 para 180 meses e quitação antecipada de R$ 1,8 bilhão. A empresa encerrou o semestre sem empréstimos vencendo no curto prazo.
O resultado do semestre "permanece desafiador", diz a empresa, que prioriza recuperação de receitas e eficiência operacional. A receita do segmento internacional caiu R$ 460,4 milhões, e as despesas comerciais subiram. O gasto com indenizações aumentou por entregas fora do prazo, sobretudo no primeiro trimestre. impacto da reestruturação nas estatais brasileiras