Coreia do Norte adiciona destróier durante exercícios de EUA, Coreia do Sul e Japão
O líder norte-coreano Kim Jong Un colocou em serviço seu segundo destróier naval e pediu a construção de uma dissuasão nuclear mais confiável, informou a imprensa estatal nesta segunda-feira, 7. O movimento ocorre enquanto Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão realizavam um exercício militar trilateral que ele considera uma ameaça à segurança.
A entrada em serviço do navio acontece em meio ao aumento de pressão da Coreia do Norte sobre os Estados Unidos, após rejeitar a iniciativa do presidente americano Donald Trump de reduzir um importante exercício militar com a Coreia do Sul como gesto conciliador em direção a Kim. Observadores apontam que Pyongyang quer arrancar concessões maiores de Washington.
O destróier Kang Kon foi incorporado à marinha norte-coreana no domingo, na cidade portuária oriental de Wonsan, em cerimônia com a presença de Kim e sua filha adolescente, considerada pelo serviço de inteligência da Coreia do Sul como provável herdeira. Fotos da imprensa estatal mostraram a jovem, de vestido branco e blazer, caminhando ao lado do pai sobre tapete vermelho e posando com marinheiros.
O Kang Kon e o Choe Hyon, colocado em serviço em junho, são destróieres de 5.000 toneladas que, segundo a imprensa estatal, podem transportar diversas armas convencionais e nucleares. Considerados os navios de guerra mais avançados do país, é provável que ambos tenham sido construídos com ajuda russa, segundo especialistas. Pyongyang afirmou em julho que testou mísseis de cruzeiro com capacidade nuclear a partir do Kang Kon.
Após anos priorizando mísseis balísticos, Kim tem se concentrado em modernizar a Marinha, que admitiu em seu discurso de domingo que até pouco tempo carecia de navios adequados à sua missão. Especialistas externos indicaram que os sistemas de armas e radar dos novos destróieres melhorariam as capacidades ofensivas e defensivas do país.
O ciclo de tensão na península coreana tende a se intensificar com a resposta norte-coreana a exercícios conjuntos. Para investidores e analistas, o risco geopolítico segue como variável de atenção, ainda que os mercados globais tenham mostrado resiliência diante de episódios anteriores semelhantes.