Copom: porta aberta para corte em setembro, com espaço menor
O Copom reduziu a Selic de 14,25% para 14% ao ano e, na avaliação do economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal, os diretores do Banco Central deixaram aberta a possibilidade de novo corte em setembro, mas com espaço menor.
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros de 14,25% para 14% ao ano. Na avaliação do economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal, os diretores do Banco Central deixaram aberta a possibilidade de um novo corte na Selic na próxima reunião, em setembro, mas com espaço menor.
O que isso significa para o consumidor?
A decisão do Copom, tomada como esperado pelo mercado, mantém o juro básico em patamar restritivo. Para quem tem dívidas ou financiamentos, a Selic em 14% ainda representa custo alto. Para quem investe em renda fixa, os retornos seguem atrativos, mas a tendência de queda pode reduzir a rentabilidade futura.
Por que o Copom cortou a Selic agora?
Durante o Giro Especial do Copom, programa do Money Times no YouTube, Leal destacou dois fatores que pesaram para o corte: o juro restritivo e a desaceleração da economia.
"Em primeiro lugar, o próprio nível da taxa de juros no Brasil, considerando que a taxa de juros real está próxima a 10%. E o segundo fator é a desaceleração da economia recente, considerando o último IPCA-15 e a produção industrial", apontou o economista.
Leal também notou uma mudança no discurso do Comitê. "É interessante como o cenário mudou desde a última reunião. Em junho, o Copom falava em uma aceleração do crescimento e, agora, o Comitê reconhece uma moderação da atividade econômica", acrescentou.
Os dados que sustentam a decisão
A prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), desacelerou de 4,80% em junho para 4,52% em julho no acumulado de 12 meses, abaixo da expectativa do mercado. Já a produção industrial recuou 1,8% em junho frente a maio.
Esses números reforçam o cenário de moderação. Para Leal, o comunicado do Copom tem um viés duplo: o BC pode, a qualquer momento, parar o ciclo de cortes, mas também pode voltar a reduzir a Selic em setembro, a depender dos dados macroeconômicos.
O que esperar para setembro?
"O Copom claramente está vendo um cenário mais benigno em termos de desaceleração da economia e menor pressão do mercado de trabalho. Se esse cenário se mantiver até a próxima decisão, o pêndulo leva para um novo corte [na Selic]", avaliou Leal.
Mas ele ressalva: "A porta segue aberta, mas não há um espaço muito grande com um balanço de risco assimétrico para cima". Ou seja, o corte pode vir, mas deve ser menor que o atual.
O que pode limitar novos cortes?
A G5 Partners mantém a projeção de manutenção da Selic a 14% até dezembro. Para o economista-chefe, o "momento positivo" da inflação deve se estender até agosto, favorecido pelo bônus de Itaipu, que deve tirar entre 0,30 e 0,40 ponto percentual da inflação do mês.
Mas, a partir de setembro, a expectativa é de retomada de alta da inflação. "O bônus de agosto deve virar o ônus de setembro, com pressão dos preços de energia e o impacto do El Niño sobre os alimentos", estima Leal. O cenário eleitoral também deve influenciar na manutenção da Selic até o fim do ano.
Perguntas Frequentes
O que é o Copom?
O Copom é o Comitê de Política Monetária do Banco Central, responsável por definir a taxa básica de juros do país, a Selic.
Como a Selic afeta o consumidor?
A Selic influencia os juros de empréstimos, financiamentos e também a rentabilidade de investimentos em renda fixa. Com Selic mais baixa, o crédito tende a ficar mais barato, mas os retornos de aplicações como CDBs e Tesouro Direto caem.
O que é o IPCA-15?
É a prévia da inflação oficial do Brasil, medida pelo IBGE, que antecipa a tendência do IPCA, o índice que baliza as metas de inflação.
Quando será a próxima reunião do Copom?
A próxima reunião está prevista para setembro, quando o Comitê decidirá se mantém ou corta novamente a Selic.
O que é o bônus de Itaipu?
É um desconto na conta de luz, resultado de créditos da usina de Itaipu, que reduz a inflação do mês de agosto.
Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional qualificado para decisões financeiras.