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Copom corta Selic para 14%, mas evita compromisso; veja o que vem

Copom corta Selic para 14%, mas evita se comprometer com novos cortes; o que vem a seguir?

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14,00% ao ano, nesta quarta-feira (5). A decisão, em linha com a expectativa do mercado, marca a continuidade do ciclo de flexibilização iniciado em junho. Mas o comunicado veio com tom cauteloso, sem indicar os próximos passos da política monetária.

O que o Copom disse no comunicado?

O BC adotou postura mais cautelosa e reforçou que a condução dos juros continuará dependente da evolução dos dados. O Comitê reconheceu sinais de desaceleração gradual da atividade econômica e uma melhora da inflação corrente na margem. A leitura foi destacada por Rodolfo Margato, economista da XP: "O Comitê reconheceu uma moderação na atividade, alguns sinais de perda de tração", afirmou, citando a mudança em relação ao comunicado anterior, que apontava aceleração.

Para Margato, a alteração está em linha com os dados recentes. "A gente chama atenção para essa mudança na caracterização de atividade, saindo de aceleração no último comunicado para sinais de moderação no documento divulgado hoje", disse.

A inflação também apresentou melhora no curto prazo, embora ainda permaneça acima da meta de 3%. O cenário, porém, segue longe de confortável. O Copom manteve o balanço de riscos assimétrico para cima, citando a desancoragem das expectativas de inflação, além de riscos relacionados a petróleo, câmbio e choques climáticos.

Por que o cenário ainda preocupa?

Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, chamou atenção para a desancoragem adicional das expectativas de inflação mais longas. "Um ponto de destaque no comunicado é a desancoragem adicional das expectativas de inflação mais longas, o que, segundo o BC, aumenta o custo da desinflação", afirmou.

O ambiente externo também segue no radar, diante das incertezas envolvendo os conflitos no Oriente Médio e a condução da política monetária nas economias avançadas. Para Margato, apesar da melhora recente, ainda existem desafios. "Ainda que reconhecendo uma melhora no cenário de curto prazo, há preocupação ainda com horizontes mais longos e alguns fatores de pressão", disse.

Projeção de inflação: o que os números mostram?

O Copom manteve em 3,2% a projeção para a inflação no primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante para a política monetária. Embora acima da meta de 3%, a estimativa é considerada próxima do objetivo. Para Leonardo Costa, economista do ASA, o número mostra que a projeção permanece "ao redor da meta" e é compatível com o corte realizado. Segundo ele, o Comitê "manteve a porta aberta para ajustes adicionais caso a evolução da atividade, da inflação e das expectativas justifique novos movimentos à frente".

O que esperar das próximas reuniões?

A grande discussão agora é se o Copom terá conforto para cortar novamente 0,25 ponto em setembro ou se fará uma pausa em 14% para avaliar os efeitos da política monetária. A MAG Investimentos espera continuidade. Para Felipe Rodrigo de Oliveira, o comunicado "deixa espaço para mais cortes, contudo sem se comprometer em dar um guidance". A projeção da casa é de mais uma redução de 0,25 ponto, levando a Selic a 13,75%.

"Mas, a princípio, acreditamos que o BC deverá cortar mais uma vez a taxa básica em 0,25 p.p para 13,75%", afirmou o economista. A MAG, porém, espera a ata da reunião para obter mais clareza sobre a discussão dentro do Comitê.

Na XP, a leitura é mais cautelosa. A casa mantém a projeção de Selic em 14% até o fim de 2026, com pausa para avaliação. Margato ressalta que a porta para novos cortes não está fechada. "Se os próximos dados econômicos de atividade e inflação continuarem fracos, abaixo das projeções, o Copom deve optar por seguir o ciclo de calibração de juros", afirmou. Nesse caso, a redução ocorreria novamente em 0,25 ponto.

O ASA também trabalha com Selic em 14% nas próximas reuniões, mas reconhece risco maior de cortes adicionais. "Há conforto do BC em cortar juros no atual ritmo, perante um cenário marginalmente melhor domesticamente", diz a casa.

Já a Arton Advisors avalia que o ciclo de flexibilização continua, mas sem trajetória definida. "A mensagem é de que o ciclo de queda da Selic permanece em curso, mas sem compromisso com um ritmo mais acelerado", afirmou Raphael Vieira, head de Investimentos da Arton. Para ele, os próximos movimentos dependerão da evolução da atividade, das expectativas de inflação e do cenário fiscal.

O que isso significa para o seu bolso?

Para o investidor de renda fixa, a Selic em 14% ao ano ainda representa retornos nominais elevados em títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic. tesouro selic 2026 Mas a cautela do Copom indica que a queda dos juros pode ser mais lenta do que o esperado. Quem depende de renda fixa prefixada precisa avaliar se a taxa atual compensa o risco de uma inflação ainda acima da meta. inflação e renda fixa O juro composto não perdoa: cada 0,25 ponto a menos na Selic reduz o rendimento dos investimentos atrelados à taxa básica.

Perguntas Frequentes

O Copom vai cortar a Selic de novo em setembro?

Não há garantia. O comunicado não indicou os próximos passos. A MAG espera novo corte de 0,25 ponto, para 13,75%, enquanto XP e ASA projetam manutenção em 14%.

O que é a meta de inflação de 3%?

É o objetivo central do Banco Central para a inflação no horizonte relevante. A projeção do Copom para o 1º trimestre de 2028 é de 3,2%, acima da meta, mas considerada próxima.

Como a decisão afeta meus investimentos em renda fixa?

Com a Selic em 14%, títulos pós-fixados seguem com retornos elevados. Mas a possibilidade de novos cortes reduz o rendimento futuro desses papéis.

O que é o balanço de riscos assimétrico para cima?

Significa que o Copom enxerga mais riscos de a inflação ficar acima do projetado do que abaixo, o que justifica cautela na condução dos juros.

Qual a projeção de inflação do BC?

O Copom manteve em 3,2% a projeção para o 1º trimestre de 2028, horizonte relevante para a política monetária.

Lia Hartmann
Especialista em renda fixa
Especialista em renda fixa.
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