Economia

Termolar: como a marca quer deixar o improviso e mirar o bilhão

ResumoA Termolar, com 68 anos de história, enfrentou alta de até 200% no custo de resinas. A empresa adotou nova identidade visual e gestão profissionalizada. Termolar projeta crescimento de 20% no ano e mira faturamento de R$ 1 bilhão nos próximos anos, saindo do improviso para uma estratégia de expansão.

Com 68 anos de história, a Termolar enfrentou uma guerra que encareceu resinas em até 200%. Agora, com nova identidade visual e gestão profissionalizada, a empresa projeta crescer 20% no ano e mira o faturamento de R$ 1 bilhão nos próximos anos.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 21 de julho de 2026
Termolar: como a marca quer deixar o improviso e mirar o bilhão

Como a Termolar quer deixar o improviso para trás e mirar o bilhão

A Termolar, fabricante gaúcha de produtos térmicos com 68 anos de história, está em meio a uma transformação que pode levar a empresa a um novo patamar. Após enfrentar uma crise causada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, que elevou o custo de matérias-primas em até 200%, a companhia reestruturou sua produção, lançou uma nova identidade visual e profissionalizou a gestão. O resultado: projeção de crescimento de 20% no ano, faturamento estimado em R$ 420 milhões e a ambição de alcançar R$ 1 bilhão nos próximos anos.

A Termolar quer deixar o improviso para trás e mirar o bilhão após uma reestruturação drástica causada pela alta de até 200% em matérias-primas durante o conflito entre EUA e Irã. A empresa reduziu a produção de caixas térmicas, focou em itens de maior valor agregado, lançou nova identidade visual e profissionalizou a gestão. Projeta crescimento de 20% no ano, com faturamento estimado em R$ 420 milhões.

O impacto da guerra na produção da Termolar

A guerra entre Estados Unidos e Irã, ocorrida a milhares de quilômetros do Rio Grande do Sul, teve efeito direto sobre a Termolar. Segundo a copresidente Natalie Ardrizzo, o custo de matérias-primas como a resina, componente-base de plásticos, subiu entre 100% e 200% em algumas linhas de produtos.

"A guerra encareceu a nossa matéria-prima de algumas linhas em até 200%. Produtos que são puro plástico, tipo uma caixa térmica, não valia a pena mais vender, porque eu teria que repassar para o cliente em torno de 50% a 100% do aumento", afirmou Natalie em entrevista ao InfoMoney.

Diante desse cenário, a empresa tomou uma decisão drástica: reduzir a produção de caixas térmicas e isotérmicos, itens de alto volume e margens pressionadas, e redirecionar o foco para garrafas e outros produtos de maior valor agregado. Foram feitos repasses de cerca de 15% ao cliente, mas ainda assim a equação não fechava.

A virada: crescimento de 20% e faturamento de R$ 420 milhões

Com a normalização gradual dos custos do petróleo, a Termolar começa a retomar o fôlego. A empresa revisou o orçamento e agora projeta um crescimento de 20% no ano, com faturamento estimado em R$ 420 milhões, superando as previsões iniciais.

"Já estamos começando de novo a colocar o pé no acelerador com esses produtos. Mudamos o orçamento há algumas semanas. Com o ajuste que fizemos neste período mais difícil, focamos em outras áreas, lançamos outros produtos e, agora, com o retorno dessas linhas, revisamos nossa projeção para cima", explicou Natalie.

O movimento mostra como a empresa conseguiu transformar uma crise em oportunidade de reorganização. A redução temporária de linhas de baixa margem liberou capacidade para inovar em categorias mais rentáveis.

Rebranding: nova identidade visual e gestão profissionalizada

A Termolar passou por um processo de rebranding que incluiu a criação de um novo logotipo, um ícone em "T" que lembra uma hélice, simbolizando "força propulsora", e a expansão para além do segmento térmico, com o lançamento de produtos de vidro.

"A melhor forma de honrar o passado é se transformando e mudando tudo o que for necessário para que a marca possa seguir. O que nos trouxe até aqui não vai nos levar pelos próximos 68 anos", afirmou a copresidente.

A mudança não foi apenas visual. A gestão da empresa também foi profissionalizada. Natalie Ardrizzo, que se define como "a mente criativa e da comunicação", passou a dividir a liderança com a irmã Carolina Ardrizzo, que assumiu a controladoria, gestão e financeiro. Além disso, foram contratados um vice-presidente e diretores de fábrica e suprimentos.

"Precisávamos criar esse nível hierárquico para mudar a mentalidade de sobrevivência de uma empresa familiar e curto prazo para uma mentalidade de longo prazo", explicou Natalie.

O sonho do bilhão e os planos de expansão

A ambição da Termolar é clara: chegar ao faturamento de R$ 1 bilhão nos próximos anos. Para isso, a empresa sabe que precisa estruturar processos e investir em automação.

"Não adianta eu crescer como eu cresci até hoje, de forma muito bagunçada. Eu preciso estruturar muito bem os processos e ter capacidade para crescer. Estimo que, para arrumar bem essa casa, com automação, leve uns dois anos. Depois disso, podemos acelerar", disse Natalie.

A expansão geográfica também está no radar. A empresa planeja mudar sua fábrica atual, localizada em um bairro residencial, para uma unidade mais adequada. Além disso, estuda a abertura de unidades fabris fora do Brasil, inclusive no Paraguai, para ganhar competitividade. Outra frente é a instalação de unidades no Norte e Nordeste do Brasil, para abastecer esses mercados com mais agilidade e reduzir custos de frete.

O que esperar da Termolar nos próximos anos

A trajetória da Termolar ilustra como uma empresa familiar pode se reinventar diante de choques externos. A crise gerada pela guerra entre EUA e Irã forçou uma reestruturação que, paradoxalmente, abriu caminho para uma gestão mais profissional, uma marca renovada e planos ambiciosos.

Para o investidor ou consumidor que acompanha o mercado de produtos térmicos e de utilidades domésticas, a Termolar representa um case de resiliência. A empresa não apenas sobreviveu a um aumento de até 200% em insumos, mas saiu do processo com uma estratégia clara de crescimento.

A aposta em produtos de maior valor agregado, a expansão para novas categorias (como vidro) e a profissionalização da gestão são movimentos que, se bem executados, podem levar a marca aos R$ 420 milhões em 2026 e, quem sabe, ao bilhão nos anos seguintes.

Perguntas Frequentes

O que causou a crise na Termolar?

A guerra entre Estados Unidos e Irã elevou o custo de matérias-primas como a resina em até 200%, inviabilizando a produção de caixas térmicas e isotérmicos com margens positivas.

Como a Termolar reagiu à alta de custos?

A empresa reduziu a produção de itens de baixa margem, focou em produtos de maior valor agregado (como garrafas) e fez repasses de cerca de 15% ao cliente.

Qual a projeção de faturamento da Termolar para 2026?

A empresa projeta crescimento de 20% no ano, com faturamento estimado em R$ 420 milhões.

O que mudou na gestão da Termolar?

A empresa profissionalizou a gestão com a contratação de um vice-presidente e diretores de fábrica e suprimentos, além de dividir a liderança entre as irmãs Natalie e Carolina Ardrizzo.

A Termolar planeja expandir para outros países?

Sim. A empresa estuda a abertura de unidades fabris fora do Brasil, inclusive no Paraguai, além de novas unidades no Norte e Nordeste para reduzir custos de frete.

Qual o objetivo de faturamento de longo prazo da Termolar?

A meta é alcançar R$ 1 bilhão em faturamento nos próximos anos, após um período de dois anos de estruturação e automação.

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