Pai analfabeto inspirou legado de educação de Dolly Parton
Dolly Parton, que morreu aos 80 anos, deixou um legado de filantropia que começou com uma dor familiar: o pai, Robert Lee Parton, nunca aprendeu a ler nem a escrever. Essa limitação inspirou a cantora a criar programas que já distribuíram mais de 270 milhões de livros para crianças em todo o mundo.
A morte foi confirmada pela família nesta terça-feira (25). O nome de Dolly Parton está gravado na entrada do antigo East Tennessee Children's Hospital, em Knoxville, que anunciou que seria batizado em homenagem à artista. O hospital pediátrico sem fins lucrativos, que atende a região há cerca de 90 anos, firmou parceria com a cantora para tratar cada criança "como se fosse da própria família".
A filantropia de Parton sempre focou em saúde, educação e oportunidades para crianças. Em 2022, recebeu a Medalha Carnegie de Filantropia. No discurso, explicou a origem: "Tudo isso começou porque meu pai não sabia ler nem escrever, e eu vi o quanto isso podia limitar uma pessoa".
A Imagination Library, criada por Parton, hoje funciona em milhares de comunidades nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Irlanda e Austrália. O programa distribui mais de 3 milhões de livros por mês, gratuitamente, independentemente da renda das famílias. Em 1988, a Dollywood Foundation foi criada para reduzir a evasão escolar, premiando estudantes com US$ 500. Nos anos 2000, criou uma bolsa universitária de US$ 15 mil.
Na área da saúde, um show beneficente em 2007 arrecadou US$ 500 mil, resultando em US$ 1 milhão para projetos médicos e na inauguração, em 2010, do LeConte Medical Center. Após incêndios florestais, criou o People Fund, que oferecia US$ 1 mil por mês durante seis meses. Em 2016, arrecadou mais de US$ 13 milhões para vítimas. Durante a pandemia, doou US$ 1 milhão para a Universidade Vanderbilt.
Para Parton, os livros eram uma janela: "A única coisa que eu via quando criança eram pessoas pobres usando macacão, sapatos simples e roupas gastas", contou à publicação literária Chapter 16. "Mas nos livros eu lia sobre reis e rainhas com roupas de veludo e grandes anéis de diamantes. Foi assim que percebi que existia um mundo além das Montanhas Smoky."