Economia

Como a América Latina pode aproveitar seu potencial em minerais críticos?

ResumoA América Latina possui significativo potencial em minerais críticos, mas enfrenta barreiras de capital, tecnologia e dependência da China, conforme análise da Moody's. Grandes empresas como Codelco e Vale têm vantagem competitiva, enquanto novos entrantes sofrem com licenciamento complexo e infraestrutura precária.

A América Latina tem potencial para minerais críticos, mas enfrenta barreiras de capital, tecnologia e dependência da China, segundo a Moody's. Grandes players como Codelco e Vale levam vantagem, enquanto novos entrantes sofrem com licenciamento e infraestrutura precária.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 20 de julho de 2026
Como a América Latina pode aproveitar seu potencial em minerais críticos?

A América Latina possui recursos de alta qualidade em minerais críticos, mas o caminho para transformar esse potencial em vantagem competitiva é estreito. O diagnóstico está em relatório da Moody's, que aponta entraves estruturais: necessidade elevada de capital, lacunas tecnológicas e dependência de processamento em países asiáticos, especialmente a China.

O ambiente competitivo na região é bifurcado. De um lado, produtores estabelecidos de grande escala, como a Corporación Nacional del Cobre (Codelco) e a Sociedad Química y Minera de Chile (SQM), no Chile, e a Vale, no Brasil, têm vantagem competitiva por já operarem em conformidade regulatória. Do outro, novos participantes enfrentam barreiras mais altas para obter financiamento sem operações consolidadas ou contratos firmes de offtake, mesmo quando dispõem de recursos de baixo custo.

Os regimes regulatórios latino-americanos estão se tornando mais complexos e com maior fiscalização, elevando os riscos de licenciamento e estendendo prazos. A Moody's alerta que a incerteza em torno das políticas públicas e regulatórias permanece um risco central, podendo atrasar projetos que, em outras condições, seriam atrativos.

Desafios de infraestrutura e logística

A viabilidade econômica de um projeto de minerais críticos depende de infraestrutura adequada. A Moody's destaca que sistemas rodoviários deficientes e a falta de acesso a portos tornam os custos de produção de lítio muito mais altos na Argentina do que no Chile. Congestionamento portuário e redes de transporte envelhecidas também atrasam exportações e elevam custos no Chile e no Peru.

Dependência tecnológica e parcerias

A produção de materiais para baterias exige conhecimentos químicos avançados e controle consistente de processos, competências que muitas operadoras latino-americanas não dominam. Isso aumenta a dependência de parceiros tecnológicos estrangeiros. A China, por exemplo, tem experiência consolidada, cadeias integradas e economias de escala que novos entrantes não conseguem replicar rapidamente. Projetos de lítio no Chile e na Argentina, bem como produtores de níquel e lítio no Brasil, já firmaram parcerias com empresas asiáticas para tecnologia e contratos de offtake de longo prazo.

Volatilidade de preços e riscos de mercado

A volatilidade dos preços adiciona incerteza. O lítio subiu para cerca de USD 80/kg no final de 2022 e caiu para cerca de USD 10/kg em 2024. O cobre também flutuou com expectativas de crescimento global e ciclos de demanda chineses. Projetos com contratos de offtake de longo prazo, baixos custos e balanços sólidos suportam melhor esses ciclos do que os que dependem de mercados à vista ou financiamento externo contínuo.

Quem leva vantagem?

Grandes empresas estabelecidas, como Codelco, SQM e Vale, continuarão a atrair investimentos, junto com gigantes globais como BHP e Rio Tinto, e novos participantes do segmento de lítio. A Moody's avalia que projetos bem estruturados, de baixo custo e alinhados a políticas terão desempenho superior. "No entanto, a incerteza em torno das políticas, limitações de infraestrutura, desafios ambientais e sociais e volatilidade de preços tendem a pressionar a qualidade do perfil de crédito, elevar os custos de financiamento e atrasar a execução dos projetos", alerta a agência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais minerais críticos na América Latina?

Os principais incluem lítio, cobre, níquel e grafita, essenciais para baterias, energia renovável e defesa.

Por que a China é um entrave para o setor na região?

A China domina o processamento e refino de minerais críticos, com cadeias integradas e economias de escala que os países latino-americanos não replicam rapidamente.

Como a infraestrutura afeta os projetos?

Estradas deficientes e falta de acesso a portos elevam custos logísticos, especialmente na Argentina, enquanto congestionamentos portuários atrasam exportações no Chile e Peru.

Quais empresas lideram o setor na América Latina?

Codelco e SQM (Chile) e Vale (Brasil) são os players estabelecidos, junto com gigantes globais como BHP e Rio Tinto.

O que a Moody's recomenda para novos entrantes?

A agência recomenda parcerias tecnológicas, contratos de offtake de longo prazo e projetos de baixo custo para mitigar riscos de financiamento e volatilidade.

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