CNA pede medidas contra UE após embargo à carne do Brasil
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu ao governo medidas em reação ao embargo à carne brasileira anunciado pela União Europeia, além de uma investigação sobre a qualidade do azeite de oliva importado. O pedido foi divulgado em nota nesta quarta-feira, 2 de setembro.
A UE confirmou na véspera que suspenderá as importações de carnes do Brasil a partir de quinta-feira, 3 de setembro, argumentando que o país não conseguiu garantir o cumprimento das normas do bloco sobre o uso de substâncias antimicrobianas.
Em ofício ao Itamaraty, o presidente da CNA, João Martins, solicitou o acionamento do Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões (MRC). Por meio do mecanismo, o Brasil poderia exigir a restauração do equilíbrio comercial com compensações equivalentes, incluindo a suspensão de concessões tarifárias outorgadas ao bloco europeu. Martins baseou o pedido nos prejuízos que o setor agropecuário deve sofrer com o embargo a produtos de origem animal. No ano passado, considerando apenas carnes bovina e de frango, o Brasil exportou cerca de US$ 1,8 bilhão à UE, segundo dados do governo.
Em outro comunicado, a CNA pediu ao Ministério da Agricultura uma investigação sobre os azeites de oliva importados e comercializados no Brasil, com foco nos padrões de identidade, qualidade e classificação dos produtos, conforme a legislação nacional. O ofício, também assinado por João Martins, foi enviado ao ministro André de Paula. A entidade pede que sejam apuradas possíveis divergências entre a classificação declarada na importação e as características dos produtos vendidos no país, especialmente os apresentados como extravirgens. No documento, a CNA afirma que a entrada de produtos que não correspondam à classificação declarada pode conferir vantagem indevida aos importadores e comprometer a valorização da produção nacional.
A nota sobre o azeite não menciona os europeus, mas 89% das quase 90 mil toneladas importadas pelo Brasil em 2025 vieram da UE, a maior parte de Portugal, seguido por Espanha e Itália. O volume financeiro é menor que o das carnes: as importações da UE somaram US$ 540 milhões no ano passado.
Procurados, os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores não comentaram o assunto imediatamente.