China reage a alerta cibernético dos EUA sobre IA e nega acusações
O Ministério do Comércio da China reagiu ao alerta cibernético dos EUA sobre IA, classificando as acusações como 'infundadas'. A pasta prometeu contramedidas se Washington usar o tema para suprimir empresas chinesas.
O Ministério do Comércio da China afirmou nesta quarta-feira, 9, que "se opõe firmemente" às acusações feitas pelos Estados Unidos contra empresas chinesas de inteligência artificial (IA), após órgãos americanos de segurança e ciberdefesa divulgarem um comunicado conjunto com recomendações de proteção para companhias dos EUA.
Segundo a pasta, a alegação de que empresas chinesas realizariam "destilação em escala industrial" para adquirir capacidades de modelos avançados americanos é "sem base e sem fundamento legal". O ministério reagiu ao anúncio emitido na terça-feira pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, pela Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) e pelo FBI.
Na avaliação chinesa, Washington estaria "politizando e instrumentalizando" um tema que, para o setor, é uma prática técnica comum. O governo afirmou que a destilação, técnica em que modelos "aprendem" com outros modelos, é utilizada globalmente, inclusive por empresas americanas, e pode melhorar eficiência de aprendizado e ampliar o acesso aos benefícios da tecnologia, sobretudo em países em desenvolvimento.
O porta-voz também acusou os EUA de adotar "duplos padrões", argumentando que modelos chineses de código aberto são compartilhados internacionalmente, inclusive com empresas americanas, enquanto companhias dos EUA, segundo Pequim, também fazem destilação de modelos chineses. Ainda assim, diz a nota, os EUA tratariam a prática como ataque quando associada à China.
A China criticou ainda o uso de agências de segurança para tratar o tema como questão de segurança nacional, afirmando que isso interferiria em atividades comerciais e poderia servir para respaldar termos "injustos" em contratos de uso, como restrições geográficas amplas.
O ministério disse que Pequim está disposta a dialogar com os EUA em discussões intergovernamentais sobre IA, mas advertiu que tomará contramedidas caso Washington use o tema como pretexto para "suprimir" empresas chinesas.
O que muda na prática
A reação chinesa sinaliza que a disputa tecnológica entre as duas maiores economias do mundo ganha novo capítulo. A destilação, que era tratada como prática técnica comum no setor, agora é alvo de alerta de segurança nos EUA.
Para empresas e investidores, o desdobramento pode trazer incertezas sobre contratos e parcerias internacionais envolvendo IA. A China, por sua vez, deixa claro que não aceitará restrições sem resposta, o que pode elevar a tensão comercial entre os países nos próximos meses.