China eleva reservas em US$ 19,5 bi e acelera compra de ouro
A China elevou suas reservas internacionais em US$ 19,55 bilhões em agosto, impulsionada pela queda do dólar e pelo superávit comercial. O país também acelerou as compras de ouro ao maior ritmo em três anos, o que reacendeu preocupações sobre a valorização do yuan.
A China elevou suas reservas internacionais em moeda estrangeira em agosto, impulsionada pela desvalorização do dólar e pelo forte aumento do superávit comercial. O movimento reacendeu preocupações sobre a valorização do yuan, moeda chinesa amplamente considerada subvalorizada por autoridades internacionais.
Segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Banco do Povo da China (PBoC), o estoque de reservas cambiais subiu US$ 19,55 bilhões, para US$ 3,438 trilhões. O resultado superou a estimativa de US$ 3,425 trilhões apontada por economistas ouvidos em pesquisa do Wall Street Journal.
No mesmo período, o país ampliou as reservas oficiais de ouro pelo 22º mês consecutivo, acelerando as compras ao maior ritmo em três anos. As reservas de ouro subiram para 76,73 milhões de onças, cerca de US$ 350 bilhões, ao fim de agosto, com alta de 650 mil onças em relação a julho. O acréscimo foi o maior desde outubro de 2023, quando o aumento mensal foi de 740 mil onças, segundo o monitor de mercado Wind Info.
O incremento de agosto também veio acima dos ganhos de 640 mil onças em julho e de 480 mil onças em junho, de acordo com levantamento do China Daily.
Para quem acompanha o mercado de criptoativos, o movimento da China é um sinal de diversificação de reservas que pode influenciar a percepção global sobre ativos de refúgio. O ouro, assim como o bitcoin, tende a se beneficiar em cenários de desvalorização do dólar, mas analistas alertam: nem tudo que sobe é tendência. A compra chinesa reflete uma estratégia de longo prazo, não uma mudança súbita de direção.
O dado foi divulgado em meio a pressões de autoridades internacionais por medidas contra exportações chinesas de baixo custo e a apelos para que Pequim permita uma valorização do yuan. Economistas avaliam, porém, que é pouco provável que as autoridades chinesas aceitem uma valorização rápida da moeda, devido aos potenciais efeitos colaterais negativos para exportações, crescimento e demanda interna.
Para o investidor comum, o cenário indica que a China deve manter sua política cambial cautelosa, o que pode manter o yuan estável no curto prazo. A continuidade das compras de ouro, por sua vez, reforça a demanda global pelo metal, um fator que investidores de ativos reais acompanham de perto.