Economia

CFOs nunca mudaram tanto de emprego: rotatividade recorde no Brasil

ResumoA pesquisa global da Russell Reynolds Associates revela que os CFOs brasileiros registraram rotatividade recorde, com 40% das posições trocando de ocupante. O tempo médio no cargo no Brasil caiu para 4,5 anos, abaixo da média global de 6,5 anos, indicando que a função deixou de ser estável.

Uma pesquisa global da Russell Reynolds Associates revela que os CFOs vivem o período de maior rotatividade da história. No Brasil, 40% das posições mudaram de ocupante, e o tempo médio no cargo caiu para 4,5 anos, bem abaixo da média global de 6,5 anos. O cargo deixou de ser ape

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 20 de julho de 2026
CFOs nunca mudaram tanto de emprego: rotatividade recorde no Brasil

O diretor financeiro, antes visto como guardião das contas, vive hoje o período de maior rotatividade da história recente. Uma pesquisa global da consultoria Russell Reynolds Associates mostra que os CFOs (Chief Financial Officers) passaram a reunir responsabilidades que vão muito além das finanças, estratégia, transformação digital, relacionamento com conselhos de administração e comunicação com investidores. No Brasil, o movimento é ainda mais intenso.

40% das posições de CFO mudaram de ocupante no país, enquanto o tempo médio de permanência na função caiu para 4,5 anos, bem abaixo da média global de 6,5 anos. Além disso, 70% dos diretores financeiros brasileiros permanecem menos de cinco anos no cargo, e apenas 12% ultrapassam uma década na função. Os números indicam que a sucessão deixou de ser esporádica para se tornar preocupação permanente das empresas.

Por que a rotatividade dos CFOs disparou?

Para a Russell Reynolds, a explicação não está apenas na volatilidade econômica ou na maior mobilidade dos executivos. O próprio cargo mudou. "Em 2025, o cargo de CFO consolidou um mandato ampliado: além das finanças, passou a exigir liderança em estratégia, transformação e comunicação com conselho e investidores", afirma Fernando Machado, sócio-diretor e líder da prática de Finanças da Russell Reynolds Associates. "Esse cenário intensifica as transições e aumenta a demanda por executivos experientes, capazes de gerar confiança rapidamente."

Na prática, o diretor financeiro passou a ser cobrado não apenas pelos resultados do balanço, mas também pela capacidade de liderar mudanças organizacionais, apoiar decisões estratégicas e participar da definição do futuro do negócio.

Experiência prévia virou requisito

Embora 57% dos profissionais tenham assumido seu primeiro mandato como CFO, cresce a preferência por executivos que já ocuparam anteriormente a função. No Brasil, 65% dos novos CFOs nomeados já possuíam experiência prévia no cargo, evidenciando que conselhos de administração estão reduzindo o espaço para curvas longas de aprendizado.

A mudança ocorre em um momento em que outras pesquisas apontam uma redefinição do papel da alta liderança. Estudos recentes da BCG mostram que a inteligência artificial deixou de ser pauta exclusiva da área de tecnologia e passou a ocupar espaço nas decisões dos CEOs. Ao mesmo tempo, levantamentos sobre transformação digital indicam que executivos vêm sendo pressionados a liderar mudanças culturais, revisar processos e incorporar novas formas de trabalho impulsionadas pela IA.

O CFO como porta de entrada para o comando

O estudo mostra que a função financeira continua sendo uma das principais portas de entrada para o comando das empresas. No Brasil, 13% das transições analisadas resultaram na promoção do CFO ao cargo de CEO, reforçando o papel estratégico da posição na formação das futuras lideranças corporativas.

Desafio da diversidade persiste

Embora mais mulheres tenham ingressado globalmente na função do que deixado o cargo, a participação feminina entre os novos CFOs caiu em 2025. No Brasil, elas representam apenas 14% dos diretores financeiros das empresas listadas no Novo Mercado, percentual cerca de 50% inferior ao cenário internacional.

"Ampliar a presença de mulheres em posições de CFO passa por fortalecer o pipeline de talentos femininos em funções estratégicas, criar condições reais de desenvolvimento ao longo da carreira e garantir ambientes que favoreçam retenção, visibilidade e prontidão para o cargo", afirma Tatiana Mereb, consultora da Russell Reynolds Associates.

O que a alta rotatividade significa para sua empresa

Com um mandato cada vez mais amplo, os CFOs passaram a reunir competências que vão da gestão financeira tradicional à condução da transformação organizacional, da comunicação com investidores ao apoio estratégico aos conselhos de administração. Substituir um diretor financeiro tornou-se muito mais complexo do que preencher uma vaga: significa encontrar um executivo capaz de navegar em um ambiente de mudanças constantes, liderar transformações e transmitir confiança desde o primeiro dia. A cadeira continua sendo de CFO, mas o perfil exigido para ocupá-la nunca esteve tão próximo do de um CEO.

Perguntas Frequentes

Por que os CFOs estão trocando de emprego com mais frequência?

O cargo se expandiu para incluir estratégia, transformação digital e comunicação com conselhos, aumentando a pressão e a demanda por executivos experientes, o que eleva a rotatividade.

Qual o tempo médio de permanência de um CFO no Brasil?

Segundo a Russell Reynolds, o tempo médio caiu para 4,5 anos, bem abaixo da média global de 6,5 anos.

Quantos CFOs brasileiros têm experiência prévia no cargo?

65% dos novos CFOs nomeados no Brasil já possuíam experiência prévia na função, segundo a pesquisa.

Qual a participação feminina entre os CFOs no Brasil?

As mulheres representam apenas 14% dos diretores financeiros das empresas listadas no Novo Mercado, percentual 50% inferior ao cenário internacional.

Quantos CFOs se tornam CEOs?

No Brasil, 13% das transições analisadas resultaram na promoção do CFO ao cargo de CEO.

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