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Campanhas apostam na crise do STF, mas eleitor pouco muda de voto

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ocupou o centro do debate político nas últimas semanas, mas não moveu a corrida presidencial na mesma intensidade. Pesquisa Datafolha feita entre 8 e 10 de setembro mostra Lula (PT) com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35% de Flávio Bolsonaro (PL). No segundo turno, o placar permanece em 46% a 44%, exatamente como na rodada anterior.

O levantamento coincidiu com a escalada do conflito na Corte em torno das investigações sobre o Banco Master, Daniel Vorcaro e a atuação dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Ainda assim, a disputa pouco se mexeu.

O que dizem os eleitores sobre a crise no STF

A estabilidade ganha peso porque a pesquisa perguntou diretamente sobre os episódios que alimentaram a crise. Entre os entrevistados, 85% afirmaram que as mensagens entre Moraes e Vorcaro não mudaram nem devem mudar seu voto para presidente. Outros 7% disseram que ficaram em dúvida, mas mantiveram a escolha. Apenas 4% declararam ter trocado de candidato.

No caso envolvendo Mendonça, o efeito foi ainda menor. Questionados sobre o pedido de Moraes para investigar o ministro, 86% responderam que o episódio não alterou o voto, e 2% afirmaram ter mudado de candidato.

O Datafolha também indica que o eleitor separa críticas à atuação de ministros do papel institucional da Corte. Segundo o levantamento, 71% concordam que o STF é essencial para proteger a democracia no Brasil.

O que as campanhas apostaram e o que a pesquisa mostrou

Os números colocam em perspectiva o peso que a crise ganhou nas estratégias políticas. Aliados de Flávio passaram a explorar o desgaste de Moraes e do Supremo. Governistas e setores da esquerda concentraram críticas na atuação de Mendonça e na defesa institucional da Corte.

Até este momento, o Datafolha não mostra que nenhuma dessas narrativas tenha produzido mudança relevante na corrida presidencial. Para Flávio, o resultado interrompe a expectativa de que o desgaste institucional pudesse ampliar o avanço registrado nas pesquisas anteriores. Para Lula, a estabilidade evita deterioração no momento em que o STF ocupa o centro do debate.

Há uma limitação importante no levantamento. A coleta terminou no dia 10 e não captou integralmente a repercussão dos desdobramentos mais recentes do caso Dark Horse, que voltou a aproximar as investigações sobre o Banco Master do entorno político de Flávio.

Os próximos levantamentos poderão mostrar se esse novo capítulo produz algum efeito. Por enquanto, o Datafolha aponta que a crise mobilizou o sistema político em intensidade maior do que alterou a decisão de voto. Dinheiro e voto seguem lógicas distintas: a conjuntura agita o debate, mas o eleitor decide com base em um conjunto mais amplo de fatores.

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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