Economia

Campanhas falam para quem já decidiu voto, dizem especialistas

ResumoAs campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro concentram esforços em consolidar bases partidárias já fiéis, negligenciando eleitores independentes. Especialistas apontam que a polarização extrema reduz o espaço para diálogo com o eleitorado flutuante, grupo decisivo em uma disputa eleitoral apertada. A estratégia atual gasta recursos com quem já definiu o voto, ignorando o segmento capaz de alterar o resultado final.

Polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro consolida bases fiéis, mas especialistas alertam: campanhas gastam energia com quem já decidiu e ignoram eleitores independentes, grupo que pode decidir a eleição apertada.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 10 de agosto de 2026
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A polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidou dois eleitorados fiéis. Mas, na avaliação de especialistas, as campanhas ainda dedicam energia excessiva a convencer quem já fez sua escolha. O verdadeiro desafio está em dialogar com um grupo bem menor de brasileiros que continua disposto a mudar de voto.

Resposta direta: Especialistas ouvidos no Mapa de Risco do InfoMoney afirmam que as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro ainda focam em eleitores que já decidiram o voto. O grupo de eleitores independentes, porém, não é homogêneo e exige estratégias específicas. Em uma eleição apertada, esse pequeno contingente pode fazer a diferença.

O erro de tratar eleitores independentes como bloco único

Durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, o fundador do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, apontou um dos principais erros da disputa presidencial: tratar os chamados eleitores independentes como um bloco homogêneo. Na prática, esse grupo reúne perfis muito diferentes e exige estratégias específicas.

"Existe um cara que não gosta muito de nenhum dos dois. Existe um cara que votou no Bolsonaro e está decepcionado. Existe outro que votou no Lula e também está frustrado. É bem diferente de achar que os dois estão disputando uma mesma massa de eleitores independentes", afirmou Meirelles.

Para ele, compreender essas diferenças é mais importante do que ampliar discursos voltados às bases já consolidadas. Boa parte do eleitorado de Lula e de Flávio dificilmente mudará de posição até outubro.

"O erro é imaginar que existe um eleitor médio esperando para escolher entre um e outro. Na verdade, são grupos distintos, com expectativas diferentes e que respondem a estímulos diferentes", disse.

O tempo do eleitor não é o da imprensa

Meirelles também chama atenção para um fator que costuma escapar do debate político: o tempo do eleitor não é o mesmo da imprensa, do mercado financeiro ou das campanhas.

"O tempo da imprensa e o tempo do mercado é um pouco diferente do tempo do brasileiro médio", afirmou.

Crises políticas, escândalos ou mudanças nas pesquisas costumam produzir reações imediatas em Brasília. Mas demoram mais para alterar a percepção de quem está preocupado principalmente com o cotidiano.

Essa diferença de ritmo faz com que campanhas frequentemente reajam aos acontecimentos do noticiário sem que eles tenham, naquele momento, produzido efeito relevante sobre o eleitor.

Eleição apertada: engajamento supera efeito demográfico

O analista de política da XP, Victor Scalet, também avalia que o foco das campanhas precisa estar no eleitor que ainda pode ser convencido. Isso é especialmente relevante em uma eleição que tende a ser decidida por uma margem estreita.

"As evidências que a gente está encontrando mostram que o engajamento acaba sendo mais importante do que o efeito demográfico. Em uma eleição apertada, esse pequeno grupo de eleitores pode fazer toda a diferença", afirmou Scalet.

Para os analistas, isso explica por que os próximos meses serão menos uma disputa para mobilizar militâncias e mais um esforço para identificar quais segmentos ainda permanecem abertos à persuasão.

O que muda na prática

A leitura dos especialistas sugere uma mudança de prioridade nas campanhas:

  • Em vez de discursos amplos para as bases, estratégias segmentadas para perfis específicos de independentes.
  • Em vez de reagir imediatamente ao noticiário, respeitar o tempo de percepção do eleitor comum.
  • Em vez de mirar a massa, focar no pequeno grupo que pode decidir uma eleição apertada.

Essa abordagem exige leitura fina de dados e menos ruído de militância. O eleitor decepcionado com um dos lados responde a estímulos diferentes daquele que rejeita os dois.

O programa Mapa de Risco

O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido. análise política eleições 2026

Perguntas Frequentes

Por que as campanhas ainda focam em quem já decidiu o voto?

Segundo especialistas, há uma tendência de tratar eleitores independentes como um bloco homogêneo e de reagir ao noticiário sem considerar o tempo de percepção do eleitor comum.

Quem são os eleitores independentes?

O grupo reúne perfis diferentes: quem não gosta de nenhum dos dois, quem votou em um lado e está decepcionado, e quem votou no outro e também está frustrado.

Qual a importância dos independentes em uma eleição apertada?

Em uma disputa decidida por margem estreita, esse pequeno grupo pode fazer toda a diferença, segundo o analista Victor Scalet.

Quando vai ao ar o Mapa de Risco?

O programa vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e em tocadores de podcast.

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