Gaspar descarta acordo com Lindbergh e oferece DNA à PGR
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou representação na PGR oferecendo o DNA do vice Alfredo Gaspar (PL-AL) para comprovar inocência diante da acusação de estupro de vulnerável feita por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke. Gaspar descartou acordo.
Campanha do PL age para debelar acusação de estupro, e Gaspar descarta acordo com Lindbergh
Um dia após anunciar o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice na chapa, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República entrou com representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) para oferecer o material genético do parlamentar para exame de DNA. A ação tenta comprovar a inocência dele diante da acusação de suposto estupro de vulnerável.
A equipe do presidenciável também chamou jornalistas para esclarecimentos sobre o caso. O encontro e a representação fazem parte de estratégia do PL para evitar que o episódio contamine a campanha. A equipe jurídica afirma não ter dúvida da inocência de Gaspar, mas atua para blindar a chapa.
O que diz a acusação de Lindbergh e Soraya
A acusação foi feita em março pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), no dia em que Gaspar, então relator da CPMI do INSS, apresentou relatório pedindo o indiciamento de 216 pessoas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parecer foi rejeitado.
A denúncia provocou tumulto naquela sessão, que foi interrompida para que o relator pudesse se defender. Lindbergh e Soraya enviaram à Polícia Federal pedido de investigação contra Gaspar.
A defesa de Gaspar e o pedido de DNA
Gaspar se defende dizendo que o caso se refere a algo que aconteceu com seu primo, Maurício César Brêda Filho, e não com ele, em datas diferentes das mencionadas por Lindbergh e Soraya, e sem ocorrência de estupro. Ele pediu o afastamento dos parlamentares envolvidos, apresentou queixa-crime por calúnia à PGR e ao STF e solicitou apuração por denunciação caluniosa e coação no curso do processo.
Na representação, os advogados da campanha, Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet, alegam que a acusação foi feita sem provas. Dizem que a narrativa repousa em informações que chegaram ao conhecimento dos noticiantes e em prints de conversas de origem, autoria e integridade desconhecidas.
A campanha argumenta que a PGR se opôs à instauração de inquérito contra Gaspar e se limitou a procedimento preliminar. Para eles, isso mostraria que o órgão não reconheceu justa causa mínima para persecução penal.
Mesmo assim, o episódio causou "mancha permanente sobre a honra" do deputado. Por isso, oferecem como prova o material genético do acusado, "capaz de demonstrar que Gaspar não é progenitor de nenhuma criança".
"Caso a PGR entenda que é necessária nova coleta de material genético, (Gaspar) está à disposição para assim proceder. Basta marcar dia, hora e local, e ele lá comparecerá para a coleta", diz a representação.
Gaspar nega acordo com Lindbergh
Questionado se aceitaria um acordo com Lindbergh para eventual retirada da acusação, Gaspar negou que tenha interesse. "Não, esqueça. Eu não aceito", respondeu.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a campanha de Flávio, afirmou que o caso não será tratado em peças de comunicação e negou que a escolha de Gaspar dê munição para o PT desgastar a candidatura. Marinho disse ter "absoluta convicção" da inocência de Gaspar.
Um membro da cúpula do PL relatou ao Estadão, sob reserva, que o partido fez diversas checagens do caso antes de confirmar o nome do alagoano, para evitar desgaste.
O que dizem Lindbergh e Soraya sobre o caso
Lindbergh e Soraya acusam Gaspar de ter estuprado, oito anos atrás, uma adolescente de 13 anos, que teria engravidado. A vítima hoje teria 21 anos e a criança, 8. Eles alegam que a avó da criança foi registrada como mãe, pois a adolescente era nova demais.
Os parlamentares dizem ter encaminhado à PF prints de conversas e "informações complementares" mostrando que um intermediador de Gaspar teria tentado comprar o silêncio da vítima. Esse intermediador teria feito pagamento de R$ 70 mil à mulher, e outros R$ 400 mil estariam sendo negociados. Os pagamentos somariam R$ 470 mil.
Eles pediram à PF o recebimento da notícia-crime, a preservação das provas, a identificação do intermediário, a oitiva reservada das pessoas envolvidas e a inclusão da vítima no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas.
A versão de Gaspar e o DNA do primo
Gaspar alega que a história se refere a um caso tido pelo seu primo, Maurício César Brêda Filho, que teria mantido relacionamento sexual com uma mulher de 21 anos em Alagoas quando ele ainda era menor de idade. A mulher teria engravidado e se mudado para o Rio de Janeiro. A criança teria sido batizada de Lourilene Pereira da Silva.
Lourilene, em vídeo enviado ao Estadão, diz: "Prontamente o meu pai, Maurício Brêda, se submeteu ao teste de paternidade". Ela afirma não ser fruto de estupro e não conhecer pessoalmente Alfredo Gaspar. A equipe de Gaspar enviou ao Estadão um exame de DNA realizado em novembro de 2014, que teria confirmado a paternidade de Maurício.
Soraya Thronicke rebateu nas redes sociais: "Ele apresentou outro caso que nada tem a ver com a denúncia. Estamos tratando de uma possível filha de 8 anos, cuja mãe tem 21. Façam as contas!".
Impacto na campanha e próximos passos
A estratégia do PL agora é agir no campo jurídico e midiático para conter o desgaste. A representação na PGR e a oferta pública do DNA são os primeiros passos. Resta saber se a PGR aceitará o material e se novas provas surgirão. Para o eleitor, o caso adiciona incerteza à reta final da campanha, e a decisão da Justiça pode influenciar a percepção sobre a chapa.
Perguntas Frequentes
Gaspar aceitou acordo com Lindbergh?
Não. Gaspar negou publicamente qualquer interesse em acordo: "Não, esqueça. Eu não aceito".
O que a campanha de Flávio Bolsonaro protocolou na PGR?
Representação oferecendo o material genético de Gaspar para exame de DNA, com o objetivo de comprovar inocência.
Quem fez a acusação contra Gaspar?
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), em março, durante sessão da CPMI do INSS.
O que Gaspar alega em sua defesa?
Que o caso se refere a seu primo, Maurício César Brêda Filho, e que não houve estupro. Ele apresentou exame de DNA de 2014 confirmando a paternidade do primo.
Qual o valor dos pagamentos citados na denúncia?
Lindbergh e Soraya afirmam que um intermediador teria pago R$ 70 mil e negociado outros R$ 400 mil, somando R$ 470 mil.