Câmara dos EUA retoma trabalhos com projeto para evitar shutdown
A Câmara dos Representantes dos EUA retoma os trabalhos nesta segunda-feira (31) com uma pauta enxuta após cinco semanas de recesso. A primeira votação deve ser um projeto de gastos temporários para manter o governo federal financiado até o início de dezembro, eliminando o risco de shutdown antes das eleições de meio de mandato, as "midterms".
Os deputados retornam a Washington com a missão de aprovar a medida em um procedimento acelerado que exige dois terços dos votos, o que torna o apoio bipartidário essencial. O projeto já passou pelo Senado com 90 votos a 6, sinalizando que parlamentares dos dois partidos querem evitar uma repetição das duas paralisações históricas do ano passado.
Além do financiamento, a pauta pode incluir uma resolução condenando o socialismo, parte da estratégia de comunicação dos republicanos para associar os democratas a candidatos socialistas democráticos que venceram neste ano. Outro item possível é um projeto de sanções à Rússia, aprovado no Senado por 86 votos a 11, que permite ao presidente Donald Trump aplicar tarifas sobre países que compram petróleo e gás russos. A proposta, liderada pelo falecido senador Lindsey Graham, busca cortar receitas usadas por Vladimir Putin na guerra contra a Ucrânia, mas enfrenta oposição de democratas que temem o uso de novos poderes tarifários contra aliados.
O presidente da Câmara, Mike Johnson, deve colocar o projeto de financiamento em votação no início da semana. O texto inclui mudanças que agradaram aos democratas, como o adiamento de uma regra do Escritório de Administração e Orçamento (OMB) e uma disposição que impede a transferência de recursos para a Patrulha de Fronteira. No entanto, uma cláusula que adia por um mês a proibição de produtos intoxicantes de cânhamo com THC gerou críticas de republicanos, o que levou a liderança a optar pelo procedimento acelerado.
Os parlamentares estão ansiosos para evitar uma paralisação enquanto os eleitores avaliam suas opções para novembro. A aprovação na Câmara enviaria o texto à mesa de Trump para sanção, mas não há votação do projeto de sanções prevista para esta semana. Defensores trabalham para que ele seja analisado antes do recesso das campanhas.