Economia

EUA aprovam lei que bloqueia verba a universidades que boicotem Israel

ResumoA Câmara dos Deputados dos EUA aprovou, por 237 a 169 votos, projeto que bloqueia auxílio federal a universidades que adotem boicotes contra Israel. A legislação afeta instituições de ensino superior que participem de campanhas de desinvestimento ou sanções econômicas ao país. O texto segue para o Senado, onde enfrenta incerteza quanto à aprovação.

A Câmara dos Deputados dos EUA aprovou, por 237 a 169, projeto que bloqueia auxílio federal a universidades que boicotem Israel. Saiba o que muda.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 03 de setembro de 2026
EUA aprovam lei que bloqueia verba a universidades que boicotem Israel

A Câmara dos Deputados dos EUA aprovou, nesta quinta-feira, um projeto de lei para bloquear o auxílio federal a universidades que boicotem Israel. A medida é a mais recente ação pró-Israel apoiada pelos republicanos, em meio a críticas democratas ao governo israelense sobre a guerra em Gaza.

A votação foi de 237 a 169, com a maioria republicana aprovando a "Lei de Proteção à Liberdade Econômica e Acadêmica". O texto ainda precisa passar pelo Senado para se tornar lei. A aprovação seguiu, em grande parte, as linhas partidárias: apenas dois republicanos votaram contra, e 33 democratas votaram a favor.

O contexto é a guerra em Gaza, que devastou o enclave palestino desde que combatentes liderados pelo Hamas mataram 1.200 pessoas em um ataque a Israel em 7 de outubro de 2023, segundo dados israelenses. Os ataques israelenses desde então mataram mais de 73.000 palestinos, conforme o Ministério da Saúde de Gaza.

O conflito gerou protestos e apelos ao boicote em muitos campi universitários dos EUA. Em resposta, o presidente Donald Trump direcionou investigações e ameaças de suspensão de verbas federais contra faculdades. O governo e muitos republicanos afirmam que os manifestantes eram antissemitas e apoiavam o extremismo. Os manifestantes negam, dizendo que defender direitos palestinos e criticar a devastação em Gaza não é antissemitismo.

O projeto mira o movimento BDS, que busca isolar Israel pelo tratamento dado aos palestinos. O deputado Jerrold Nadler, democrata de Nova York, disse que se opõe ao BDS, mas votaria contra o projeto por defender a liberdade de expressão. "É a única maneira de garantir que as opiniões com as quais concordo sejam igualmente protegidas", afirmou.

Os autores do projeto dizem que o objetivo não é impedir o debate acadêmico, mas evitar que Israel e o judaísmo sejam alvos. "Ele simplesmente diz que, se sua universidade recebe verbas federais dos contribuintes, ela não pode discriminar parcerias acadêmicas ou investimentos com um país", disse o deputado Josh Gottheimer, democrata de Nova Jersey.

Para estudantes brasileiros em universidades americanas, o efeito prático pode vir na forma de cortes de financiamento a pesquisas e programas, caso a lei passe no Senado. Instituições que mantêm parcerias com Israel precisarão reavaliar políticas para não perder verba federal. A decisão final, porém, ainda depende da aprovação no Senado e da sanção presidencial.

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