Economia

Flávio Bolsonaro: planos cautelosos para privatizações

ResumoFlávio Bolsonaro sinaliza cautela com privatizações em eventual governo. Assessores indicaram que a Caixa não deve ser vendida, enquanto o Banco do Brasil poderia entrar na lista de desestatização. As declarações foram feitas durante evento do Grupo Esfera, revelando abordagem gradual e seletiva para o setor de estatais federais.

Durante evento do Grupo Esfera, assessores de Flávio Bolsonaro indicaram cautela com privatizações. Daniella Marques disse que a Caixa não deve ser vendida e que o Banco do Brasil poderia entrar na lista.

Otávio Bandeira
Otávio Bandeira Analista de mercado de capitais · 14 de setembro de 2026
Flávio Bolsonaro: planos cautelosos para privatizações

A equipe econômica do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) sinaliza cautela com privatizações. A posição ficou clara durante evento do Grupo Esfera nesta segunda-feira (14), quando os principais assessores do presidenciável detalharam o que pretendem fazer com o setor público.

Daniella Marques, ex-assessora especial do Ministério da Economia e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, disse que a Caixa não vai entrar em uma eventual lista de estatais privatizáveis. "A Caixa tem papel importante e a gente quer a Caixa como braço na ponta oferecendo solução de crédito", afirmou. Já o Banco do Brasil "poderia" ser privatizado, segundo ela, pois negocia menos de uma vez seu patrimônio. A economista também citou que "mais de 20 estatais" poderiam entrar na mira do governo, mas afirmou que até o Correios perdeu a janela para ser privatizado.

A fala destoa do discurso econômico liberal associado a Flávio Bolsonaro e a nomes da direita. Daniella defendeu o Estado como "desenvolvedor" e "ferramenta" para que o brasileiro possa renegociar suas dívidas.

Adolfo Sachsida, assessor de Daniella na coordenação-geral do plano econômico e ex-ministro de Minas e Energia, ampliou o rol de propostas no mesmo painel. Ele citou como prioritárias a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) "aos valores de 2022" e o fim do imposto de exportação de petróleo. As medidas seriam levadas logo no início do mandato e aprovadas em até um ano e meio.

"Vamos aprovar essas mudanças, vamos mandá-las logo no começo e em 18 meses a gente recoloca o Brasil no caminho da prosperidade", prometeu Sachsida.

No campo tributário, Daniella Marques voltou a defender adequações na Reforma Tributária, cujo arcabouço principal começa a entrar em vigor em 2027, primeiro ano do mandato do próximo presidente. Segundo ela, a lei aprovada no Congresso é uma "colcha de retalho com tantas exceções que sobrou uma alíquota impagável", que na sua avaliação chega a 28%. "Serviços e atividade produtiva foram penalizados. Não iniciaremos discussão sobre o arcabouço, mas vamos aprimorar antes que seja judicializado", avaliou. A economista também mencionou "descontrole absoluto de gasto público", com a dívida federal em 82% do Produto Interno Bruto (PIB).

Sachsida e Daniella citaram ainda a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da reeleição, de Flávio Bolsonaro, como medida emergencial. Evitaram, porém, apontar quem seria o candidato mais prejudicado pela recente crise do Supremo Tribunal Federal (STF). "O Brasil, com certeza", disse Daniella. "Deixo para que nossa dama-de-ferro responda", afirmou Sachsida.

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