Economia

Café dispara com estoques na mínima de 26 anos; açúcar estável

ResumoOs contratos futuros de café arábica na ICE subiram 5,9% nesta segunda-feira, com estoques globais atingindo a mínima de 26 anos. Açúcar permaneceu estável, com traders monitorando safras da Índia e do Brasil. A disparada do café reflete oferta restrita, enquanto o açúcar aguarda definições climáticas e políticas de exportação.

Os contratos futuros de café dispararam na ICE nesta segunda-feira, com o arábica subindo 5,9% e estoques na mínima de 26 anos. Açúcar fecha estável, com mercado de olho na Índia e no Brasil.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 25 de agosto de 2026
Café dispara com estoques na mínima de 26 anos; açúcar estável

Os contratos futuros de café na bolsa ICE registraram forte alta nesta segunda-feira, com o arábica atingindo a maior cotação em mais de um mês, à medida que o período de notificação de entrega do primeiro contrato teve início com volumes reduzidos. O café arábica fechou com alta de 19 centavos, ou 5,9%, a US$3,4165 por libra-peso, após ter atingido anteriormente a maior cotação em seis semanas, de US$3,4255. O primeiro vencimento atingiu US$3,7795, o preço mais alto desde janeiro.

Os estoques de arábica certificados pela ICE continuaram a cair e agora estão próximos da mínima de 26 anos. O corretor e consultor de café Mike Nugent disse que o período de notificação de entrega começou devagar, com apenas algumas dezenas de notificações. "O mercado de curto prazo enviou uma mensagem clara: o café disponível em algum lugar não é necessariamente café disponível aqui, agora, em condições de entrega", disse ele.

O mercado invertido está precificando uma melhora na oferta no futuro, mas há dúvidas no mercado sobre a rapidez com que o café será transportado dos países produtores para os mercados consumidores, disseram os corretores. Olhando para o futuro, espera-se que os preços do arábica caiam 8,8% até o final de 2026, já que o excedente de mercado para 2026/27 deve aumentar de 1,7 milhão para 8,2 milhões de sacas, de acordo com uma pesquisa da Reuters. O preço do café robusta subiu 5,1%, para US$3.802 a tonelada.

No açúcar, o bruto fechou em alta de 0,04 cent, ou 0,2%, a 17,65 centavos por libra-peso, após atingir uma máxima de 18,26 centavos na última quinta-feira, quando a Índia anunciou que permitiria a importação isenta de impostos de 1 milhão de toneladas métricas de açúcar bruto devido aos preços domésticos recordes. A corretora Admis afirmou que os futuros de açúcar bruto na ICE, em seu pico na semana passada, haviam subido 27% em apenas três semanas, levando o mercado a uma correção moderada. A empresa acrescentou que há rumores de que os preços elevados tenham provocado vendas de hedge no Brasil, principal produtor.

Enquanto isso, na Índia, segundo maior produtor, a Associação Indiana de Usinas de Açúcar afirmou que a alta nos preços do açúcar indiano tem sido impulsionada por compras especulativas, e não por qualquer escassez real de oferta. As chuvas diminuíram por enquanto no Brasil, permitindo que a colheita tenha avançado rapidamente, afirmou o corretor e consultor Michael McDougall. O serviço de monitoramento de safras da União Europeia, o Mars, reduziu na segunda-feira suas previsões de rendimento da beterraba sacarina para 2026 em 11% em relação ao ano anterior, para 72,2 toneladas/ha. O preço do açúcar branco caiu 2,8%, para US$535,90 por tonelada.

No cacau, o preço de referência em Londres fechou em queda de £27, ou 0,6%, para £4.298 por tonelada. O cacau em Nova York caiu 1,5%, para US$5.945 por tonelada. O analista de cacau da StoneX, Lucca Bezzon, disse que o mercado passou por uma pequena correção técnica na segunda-feira, após os ganhos registrados na semana anterior. Ele disse que tanto Gana quanto a Costa do Marfim anteciparam a safra oficial em um mês; portanto, a partir da próxima semana já deve haver alguns dados sobre a oferta da nova safra. "O foco do mercado continua na nova safra 2026/27. Ainda há muita incerteza sobre a produção africana", disse ele, indicando que os volumes poderiam ficar cerca de 10% abaixo do ciclo anterior.

Para o consumidor, a disparada do café já se reflete nos preços das prateleiras, e a tendência é de manutenção da pressão enquanto os estoques seguirem em queda. No açúcar, a estabilidade atual pode ser temporária, dependendo da evolução da colheita no Brasil e das importações indianas. impacto das commodities na inflação

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