Café arábica atinge mínima em 5 semanas; açúcar recua
Café arábica fecha em queda de 0,9% na ICE, a US$ 2,9535/lb, pressionado por clima favorável e retomada das exportações do Brasil. Açúcar recua 3,4% após máxima em 16 meses.
Os contratos futuros do café arábica na bolsa ICE fecharam em queda nesta quinta-feira, pressionados por condições climáticas favoráveis e perspectivas otimistas de oferta. O açúcar bruto também recuou, após atingir na véspera a maior cotação em 16 meses. O movimento reflete um mercado de commodities agrícolas em ajuste, com impactos diretos para produtores e investidores.
O café arábica caiu 0,9%, a US$ 2,9535 por libra-peso, após tocar a mínima de cinco semanas de US$ 2,8975. A retomada das exportações do Brasil, principal produtor mundial, ajuda a aliviar a escassez de oferta no curto prazo. O retorno das chuvas também é sinal positivo para a floração, fase que define a safra do próximo ano.
Segundo a analista de commodities agrícolas Judy Ganes, os armazéns no Brasil estão se enchendo e as exportações ganham ritmo, afastando preocupações com os baixos estoques certificados na ICE. A StoneX projeta safra recorde de 77,2 milhões de sacas para 2026/27, alta de 2,6% ante estimativa de março. O café robusta caiu 0,9%, para US$ 3.374 por tonelada, menor nível em dois meses e meio.
No açúcar, o bruto fechou em queda de 3,4%, a 18,07 centavos por libra-peso, após máxima de 18,77 centavos na quarta-feira, maior nível desde abril de 2025. O analista Michael McDougall atribui a retração a um movimento de consolidação, sem motivo fundamental. Os preços seguem sustentados por expectativa de déficit de 300 mil toneladas na safra 2026/27, segundo a Organização Internacional do Açúcar. A produção no centro-sul do Brasil caiu 7,9% no início de agosto, conforme dados do governo.
No cacau, Londres fechou em baixa de 1,4%, a £ 4.514 por tonelada, após pico de um ano na terça-feira. A produção de Gana, segundo maior produtor, deve cair entre 18% e 38% na safra 2026/27, por envelhecimento das árvores, doenças e falhas na polinização. O El Niño preocupa, mas estoques globais amplos devem amortecer impactos, segundo executivo da Mondelez. O mercado ainda espera excedente pequeno em 2026/27.
Para quem acompanha o setor, a queda do café pode sinalizar alívio nos custos para torrefadoras, enquanto o açúcar, mesmo recuando, mantém viés de alta por déficit. O cacau segue volátil, com fundamentos divididos entre riscos de oferta e estoques confortáveis. O ciclo sempre vira, e o momento pede atenção às próximas safras.
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