Economia

Cade libera compra da Desktop pela Claro por R$ 4 bi

ResumoA Superintendência-Geral do Cade aprovou sem restrições a aquisição da Desktop pela Claro por R$ 4 bilhões. A operação adiciona 1,2 milhão de clientes em 198 cidades paulistas à base da Claro e supera o sinal inicialmente contrário da Anatel em 2025.

A Superintendência-Geral do Cade aprovou sem restrições a compra da Desktop pela Claro por R$ 4 bilhões, afastando o sinal inicialmente contrário da Anatel em 2025. A operação envolve 1,2 milhão de clientes em 198 cidades paulistas.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 14 de setembro de 2026
Cade libera compra da Desktop pela Claro por R$ 4 bi

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a compra da Desktop pela Claro, afastando as sinalizações iniciais de dificuldade para a confirmação da operação entre as duas empresas.

O parecer apontou que a maior sobreposição das companhias ocorre no mercado de banda larga fixa, abrangendo 198 municípios. Em muitos deles, as participações de mercado conjuntas serão significativas. Ainda assim, o órgão considerou reduzida a probabilidade de exercício unilateral de poder de mercado, mesmo nas cidades com participação mais expressiva.

"As condições de entrada, rivalidade e contestabilidade mostraram-se suficientes para mitigar os riscos concorrenciais", descreveu o órgão antitruste, citando a presença de infraestrutura de redes e de concorrentes locais e nacionais capazes de garantir a concorrência. A análise identificou ainda que a Claro terá incentivos econômicos privados para desocupar, gradualmente, as infraestruturas consideradas redundantes.

O que a aprovação destrava no mercado paulista

A Desktop tem 1,2 milhão de clientes em 198 cidades do Estado de São Paulo, o equivalente a 7,6% de participação. Para a Claro, a aquisição representa avanço importante no Estado, onde disputa a liderança com a Vivo. A Claro soma 4,5 milhões de clientes em São Paulo (28,3%), enquanto a Vivo conta com 4,9 milhões (31%).

Em maio, a operação também recebeu anuência prévia da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O caminho até aqui, porém, não foi linear. Em outubro de 2025, quando vazaram notícias sobre a negociação, a Anatel fez uma análise preliminar apontando efeitos negativos ao mercado e à entrada de novos competidores caso a aquisição se confirmasse.

Estrutura da transação e histórico da Desktop

A transação foi celebrada oficialmente em março deste ano pelo valor de R$ 4 bilhões, considerando R$ 2,4 bilhões em ativos e R$ 1,6 bilhão da dívida líquida que será assumida. A Claro ficará com 84 milhões de ações ordinárias da Desktop, equivalentes a 73% da operadora.

Os vendedores são o fundo de investimento Makalu Brasil Partners, controlado pela gestora norte-americana HIG Capital, e um grupo de pessoas físicas, incluindo o fundador da empresa, Denio Alves Lindo. Numa segunda etapa, a Claro deverá fazer uma oferta para comprar os 27% das ações remanescentes no mercado.

A Desktop nasceu em 1997, em Sumaré (SP). Em 2020, recebeu aporte da HIG Capital para acelerar o crescimento; em 2021, lançou ações em Bolsa. Desde o fim de 2025, a empresa conversava com a Claro. Antes, chegou a negociar com a Vivo, mas não houve acordo sobre o preço.

Para quem acompanha o setor, a leitura é de consolidação em curso: o ciclo de aquisições regionais tende a reorganizar a disputa por fibra no interior paulista, e o investidor deve observar como a Claro integrará a base da Desktop sem pressionar ainda mais a concorrência nos municípios onde a sobreposição é maior.

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