Economia

Cachaças premium ganham terreno e vendem 3 vezes mais que vodka

ResumoCachaças premium ampliam participação no varejo brasileiro enquanto o volume geral da categoria recua 6,6% entre janeiro e julho de 2026. Segundo dados da Scanntech, a cachaça vende três vezes mais que a vodka no período, impulsionada pelo avanço dos rótulos de maior valor agregado.

Cachaças premium ganham participação no varejo enquanto o volume geral recua 6,6% de janeiro a julho de 2026. A bebida vende três vezes mais que a vodka, segundo a Scanntech.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 14 de setembro de 2026
Cachaças premium ganham terreno e vendem 3 vezes mais que vodka

As cachaças premium ganham terreno no varejo brasileiro e a bebida vende, em média, três vezes mais que a vodka, segundo dados da Scanntech, empresa de inteligência para o varejo. O movimento aparece justamente no mês em que a bebida símbolo do Brasil é celebrada, em 13 de setembro, e combina dois fenômenos: retração de volume e migração para faixas de preço mais altas.

Segundo a Scanntech, a cachaça vende em média três vezes mais que a vodka e se mantém estável ao longo do ano, enquanto a vodka costuma ter pico de vendas apenas no fim do ano. No recorte que exclui as cervejas, a pinga representa 9,6% das vendas em volume, contra 5,1% da tradicional bebida russa. O conhaque fecha o top 5.

A leitura de consumo é direta: as pessoas bebem menos, mas escolhem melhor. De janeiro a julho de 2026, as vendas do setor caíram 6,6% frente ao mesmo período do ano anterior. A perda da vodka foi duas vezes superior à da aguardente, e o whisky recuou 14,7% no período.

"As pessoas consomem menos, mas consomem melhor. O volume recua enquanto as faixas mainstream e premium ganham participação", explica o head de inteligência de mercados da Scanntech, Felipe Passarelli.

Na cachaça, a migração ocorre entre faixas de preço, e não para alternativas sem álcool, como acontece na cerveja. A categoria econômica, que reúne os 30% mais baratos, caiu de 27,8% para 24,2% de participação em volume. O segmento mainstream, entre 30% e 75%, avançou de 44,6% para 46%. Já o premium, os 25% mais caros, subiu de 27,6% para 29,9%.

Para Passarelli, o consumidor deixou de escolher cachaça só pelo preço e passou a considerar marca, origem e qualidade. "A cachaça transcende fronteiras culturais e geracionais, consolidando-se não apenas como um ícone nacional, mas como uma categoria estratégica tanto para o varejo quanto para a indústria de bebidas", afirma.

O desenho é o de uma categoria que troca volume por valor. Enquanto isso, a estabilidade anual da cachaça, sem depender do pico de fim de ano, dá ao varejo previsibilidade de giro que a vodka não entrega. É esse conjunto, e não apenas o preço, que sustenta a diferença de três vezes nas vendas.

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