BRICS condena sanções não autorizadas pela ONU e alerta sobre Oriente Médio
Reunidos em Nova Délhi, líderes do BRICS manifestaram preocupação com ataques a infraestruturas civis e instalações nucleares e condenaram sanções não autorizadas pela ONU. Declaração conjunta pede eliminação de medidas vistas como ilegais.
O BRICS manifestou neste sábado, 12, preocupação com a escalada das tensões no Oriente Médio e condenou o uso de sanções não autorizadas pela ONU. A declaração foi divulgada durante reunião de líderes em Nova Délhi, que buscou fortalecer a posição do bloco em temas globais vistos como dominados pelo Ocidente.
A cúpula contou com a presença do presidente iraniano Masoud Pezeshkian e de seus homólogos dos outros oito membros do BRICS, incluindo o presidente russo Vladimir Putin e o presidente chinês Xi Jinping. A Índia sedia o encontro deste ano.
O grupo demonstrou preocupação com "ataques deliberados" a infraestruturas civis e a instalações nucleares pacíficas sob salvaguardas da agência de energia atômica da ONU. Na avaliação dos líderes, a segurança e a proteção nuclear devem ser preservadas durante conflitos armados. A declaração foi interpretada como uma crítica indireta aos ataques dos EUA e de Israel a instalações nucleares iranianas.
Os líderes também criticaram sanções unilaterais não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU. Nenhum país foi nomeado, mas a Rússia, membro fundador do BRICS, enfrenta sanções ocidentais desde sua invasão em larga escala à Ucrânia, em 2022.
"Apelamos para a eliminação de tais medidas ilegais, que minam o direito internacional e os princípios e propósitos da Carta da ONU", dizia a declaração conjunta.
O comunicado ocorre em um momento de intensificação dos combates entre a Arábia Saudita e os Houthis do Iêmen, o que amplia o temor de que a guerra no Irã se expanda. As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, somadas ao aumento das tensões entre EUA e China, testam a capacidade do bloco de encontrar terreno comum entre países com interesses geopolíticos concorrentes.
Para o mercado, o tom do comunicado reforça a percepção de que o BRICS tenta se posicionar como um contraponto a sanções lideradas pelo Ocidente, o que pode influenciar fluxos comerciais e de investimento em economias emergentes. A ausência de nomes específicos no documento, no entanto, limita a leitura sobre medidas concretas. sanções ocidentais e impacto no comércio global