Economia

Brasil vira maior importador de carros chineses: alerta para locadoras da B3

ResumoO Brasil tornou-se o maior importador global de carros chineses, com US$ 5,2 bilhões em compras. O aumento das importações de veículos eletrificados chineses pressiona locadoras como Localiza e Movida, listadas na B3, elevando o risco de depreciação adicional das frotas diante da concorrência e da rápida obsolescência tecnológica.

O Brasil assumiu a liderança global como maior importador de carros chineses, com US$ 5,2 bilhões em compras. O movimento acende alerta para locadoras como Localiza e Movida, que enfrentam risco de depreciação adicional de frota diante da concorrência de veículos eletrificados.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 29 de julho de 2026
Brasil vira maior importador de carros chineses: alerta para locadoras da B3

Brasil vira maior importador de carros chineses: mais um alerta para locadoras da B3?

O Brasil assumiu, pela primeira vez, a liderança global como principal importador de automóveis da China no acumulado dos primeiros cinco meses de 2026, com US$ 5,2 bilhões em compras, alta anual de 146,9%, sendo US$ 4,5 bilhões em veículos eletrificados. O movimento acende alerta para locadoras listadas na B3, como Localiza e Movida, que enfrentam risco de depreciação adicional de frota diante da concorrência de veículos chineses.

No mesmo período de 2025, o Brasil havia comprado US$ 2,1 bilhões e ocupava o sexto lugar no ranking de importadores. Segundo números do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), considerando todo o primeiro semestre de 2026, as importações de veículos eletrificados chineses somaram US$ 5,35 bilhões. As compras de automóveis chineses responderam por aproximadamente 15% de tudo o que o Brasil importou do país asiático, calcula a entidade.

Por que o Brasil se tornou o maior importador de carros chineses?

A aceleração das importações refletiu, em parte, a antecipação de compras antes da elevação das tarifas de importação para 35% em julho de 2026. As vendas domésticas de veículos leves eletrificados tiveram alta de 125% no primeiro semestre de 2026, para 215 mil unidades, superando amplamente o crescimento de 19,4% do mercado automotivo total.

Apesar das tarifas mais altas e dos planos de produção local de montadoras chinesas, especialistas veem a expansão dos veículos chineses como estrutural, apoiada por preços competitivos, tecnologia e maior aceitação dos consumidores.

Impacto para as locadoras da B3: Localiza e Movida na mira

Conforme destaca o Bradesco BBI, o apetite das montadoras chinesas pelo mercado brasileiro segue elevado, enquanto o forte fluxo de importações antes do aumento tarifário eleva o estoque disponível e pode intensificar a competição comercial no país. Para o segundo semestre de 2026, a visão é de que os estoques locais elevados e novos lançamentos possam representar risco adicional para as despesas de depreciação de Localiza (RENT3) e Movida (MOVI3), especialmente em segmentos mais expostos à concorrência de veículos eletrificados e SUVs chineses.

Em análise recente, o Goldman Sachs já alertava para a rápida expansão das montadoras chinesas no mercado brasileiro de veículos. Com a forte entrada de veículos chineses, os preços mais baixos no mercado primário podem se traduzir, ao longo do tempo, em maior depreciação das frotas ou em redução dos preços de venda, afetando também a rentabilidade futura do setor.

Quanto a depreciação pode impactar o lucro da Localiza?

De acordo com o Goldman Sachs, no caso da Localiza, para cada 1% de variação nos preços dos carros novos no Brasil, estima-se um impacto de R$ 570 milhões no valor contábil da frota. Considerando um ciclo de vida dos veículos de 18 meses, isso implicaria um impacto negativo no lucro líquido anual de cerca de R$ 300 milhões, o equivalente a 6% do lucro esperado para 2027. Em 2024, a empresa já havia registrado um ajuste (impairment) de R$ 1,4 bilhão, cerca de 2,5% do valor da frota.

Projeções para a participação chinesa no mercado brasileiro

Segundo estimativas feitas no primeiro semestre pelo ex-presidente da Anfavea, Rogélio Golfarb, as marcas chinesas podem responder por cerca de 35% do mercado brasileiro de veículos até 2035, ante aproximadamente 10% em 2024 e uma projeção de 20% para 2030. De acordo com Golfarb, mesmo com a migração gradual para a produção local, as montadoras chinesas devem manter elevada competitividade, sustentada não apenas por subsídios, mas por ganhos de escala, integração produtiva e acesso a componentes importados de baixo custo, especialmente em tecnologias mais avançadas, como veículos elétricos e híbridos.

Fatores que podem mitigar os riscos para as locadoras

Mesmo com esse impacto, para o Bradesco BBI, os efeitos podem ser administráveis para as locadoras, considerando alguns fatores mitigadores já mapeados. Entre eles: o maior foco das locadoras em SUVs, segmento historicamente mais resiliente; a elevação das tarifas de importação, que limita políticas de desconto muito agressivas; e condições comerciais mais favoráveis para empresas de locação, que preservam parte do poder de barganha do setor.

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Perguntas Frequentes

O Brasil é o maior importador de carros chineses?

Sim, o Brasil assumiu a liderança global como principal importador de automóveis da China nos primeiros cinco meses de 2026, com US$ 5,2 bilhões em compras.

Quanto o Brasil importou de carros chineses em 2026?

Foram US$ 5,2 bilhões no acumulado de janeiro a maio de 2026, sendo US$ 4,5 bilhões em veículos eletrificados.

Qual o impacto para a Localiza?

Segundo o Goldman Sachs, cada 1% de variação nos preços dos carros novos impacta em R$ 570 milhões o valor contábil da frota, com possível redução de R$ 300 milhões no lucro líquido anual.

As montadoras chinesas vão dominar o mercado brasileiro?

Segundo estimativas, as marcas chinesas podem responder por 35% do mercado até 2035, ante 10% em 2024.

O que pode mitigar os riscos para as locadoras?

Fatores como foco em SUVs, elevação das tarifas de importação e condições comerciais favoráveis para empresas de locação podem tornar os impactos administráveis.

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