2 milhões de brasileiros trabalham por aplicativos em 2025
O Brasil fechou 2025 com cerca de 2 milhões de trabalhadores por aplicativos, segundo a Pnad Contínua do IBGE. A maioria é conta própria, com jornada de 44,7 horas semanais e rendimento médio de R$ 3.147.
O Brasil fechou 2025 com cerca de 2 milhões de pessoas trabalhando por meio de aplicativos, de acordo com a Pnad Contínua divulgada nesta sexta-feira (4) pelo IBGE. O contingente de 1,959 milhão de plataformizados representava 1,9% do total de ocupados no país. A maioria atua por conta própria, com jornada mais longa e rendimento por hora menor que o dos demais trabalhadores do setor privado.
Segundo o IBGE, 1,2 milhão usam apps de transporte de passageiros, o equivalente a 58,9% do total. Desses, 1,1 milhão utilizam plataformas como Uber e 99, enquanto 232 mil usam exclusivamente apps de táxi. Os entregadores somam 376 mil pessoas, 19,2% do total, em plataformas como Rappi, iFood e Zé Delivery. A categoria de serviços gerais ou profissionais, que inclui designers e telemedicina, reúne 313 mil trabalhadores (16%).
A pesquisa mostra que o rendimento médio mensal dos plataformizados foi de R$ 3.147, patamar similar ao dos não plataformizados (R$ 3.148). Mas a jornada semanal de 44,7 horas, 5,4 horas a mais que a média, derruba o rendimento-hora para R$ 16,2, 12% abaixo dos R$ 18,4 dos demais. O valor considera o saldo após custos como gasolina, explica o IBGE.
A informalidade atinge 86,8% dos plataformizados, que se declaram conta própria, ante 28,9% no setor privado. O analista Gustavo Geaquinto Fontes ressalta que há "evidências de certo grau de dependência" desses trabalhadores em relação às plataformas: 80,2% dos motoristas afirmam que o valor por tarefa depende totalmente dos apps. A divulgação ocorre uma semana após o STF adiar a retomada do julgamento sobre a "uberização", com a PGR defendendo que a Corte não reconheça o vínculo empregatício uberização e vínculo empregatício.