Brasil pode quebrar? Analistas veem cenário de ruptura fiscal
A pergunta circula entre investidores: Brasil pode quebrar? Com as eleições de 2026 se aproximando, analistas da Empiricus e do BTG Pactual traçam um cenário de ruptura de confiança fiscal, em que juros chegam a 20% ao ano, dólar passa de R$ 7 e o Ibovespa cai abaixo de 107 mil pontos. A base do alerta está em um relatório que avalia o que aconteceria se o governo não ajustar as contas públicas.
Em cenário de ruptura de confiança, os analistas projetam que a dívida bruta do governo, que alcançou 82,5% do PIB em julho de 2026, segundo o Banco Central, seguiria crescendo. Para estabilizá-la, seria necessário um superávit primário de 2,1% do PIB, mas o Brasil hoje registra déficit de 1,19% do PIB. Ou seja, seria preciso uma melhora de mais de 3 pontos percentuais, algo que, segundo os analistas, não seria factível apenas com aumento de receitas ou congelamento de gastos.
O choque, explicam, surgiria quando os investidores percebessem que, sem mudanças nas despesas obrigatórias e sem superávits primários recorrentes, a dívida não será estabilizada. Em um cenário de enfraquecimento da confiança, sem perda total, o governo ainda cumpriria parte das metas com receitas temporárias, mas a dívida avançaria para perto de 90% do PIB, pressionando juros, dólar e bolsa.
No cenário severo, com abandono da hipótese de estabilização, a dívida caminharia para 95% e depois 100% do PIB, com o Banco Central retomando o aperto monetário. O dólar poderia passar de R$ 6,60, e o Ibovespa encostaria nos 116 mil pontos. No cenário mais extremo, com flexibilização do arcabouço e desancoragem inflacionária, a curva de juros futuros (DI jan/2031) chegaria a 20%, o dólar a R$ 7,50 e a bolsa aos 89 mil pontos.
Os analistas ressaltam que o risco mais provável não seria um calote clássico, dado que a dívida é majoritariamente em reais e há reservas. O dano viria por inflação mais alta, juros reais persistentes, repressão financeira e destruição gradual do valor dos ativos. A percepção de que o problema continuará já pode elevar o juro neutro, enfraquecer o câmbio e reduzir os múltiplos da bolsa.
Diante disso, a recomendação é priorizar diversificação internacional, liquidez e ativos alternativos de proteção. O relatório completo, com a lista de ativos, está disponível no Empiricus+, com 30 dias gratuitos para novos assinantes. como investir em tempos de crise fiscal
A leitura dos analistas reforça uma lição recorrente do mercado: o ciclo sempre vira, mas a forma como ele vira depende da credibilidade fiscal. Para o investidor, o momento exige cautela e posicionamento defensivo, sem esperar que a crise se materialize para agir.