Economia

Brasil sujeito a risco cambial em estresse fiscal, alerta UBS

ResumoUBS alerta que o Brasil enfrenta maior vulnerabilidade cambial em cenário de estresse fiscal. A migração da dívida pública para títulos atrelados à Selic pode acelerar a fuga de capitais para o dólar, ampliando pressões sobre o real. O banco destaca risco de desancoragem das expectativas fiscais e monetárias.

UBS alerta que Brasil está mais sujeito a risco cambial em cenário de estresse fiscal. Migração da dívida para títulos atrelados à Selic pode acelerar fuga para o dólar.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 31 de agosto de 2026
Brasil sujeito a risco cambial em estresse fiscal, alerta UBS

O UBS Global Wealth Management alerta que o Brasil está mais sujeito a risco cambial em um cenário de estresse fiscal, com a migração da dívida pública para títulos atrelados à Selic criando condições para uma fuga mais rápida do investidor local para o dólar.

Enquanto a Bolsa oscila e a curva de juros segue em patamar elevado, o dólar permanece comportado, negociado perto do valor justo. Mas o cenário pode mudar rapidamente se houver piora na percepção fiscal e, no limite, dominância fiscal, segundo o time de pesquisa macroeconômica do UBS, liderado pela economista Solange Srour.

No cenário benigno, a procura doméstica por dólar seria compensada pelo fluxo externo, como hoje. No pior cenário, brasileiros ampliariam a demanda por proteção cambial enquanto estrangeiros reduziriam a oferta de moeda estrangeira, e a pressão dependeria do estoque de reservas internacionais e da credibilidade da resposta macroeconômica.

"Nesse ambiente, a depreciação esperada e o risco de cauda passa a pesar mais na decisão de alocação de carteira, ao mesmo tempo em que a própria liquidez dos ativos pós-fixados, que os torna fáceis de resgatar e realocar, facilita a busca por instrumentos de proteção cambial", explicam as economistas em relatório.

A dívida pública é quase toda em reais, e o setor público está na ponta credora em moeda estrangeira, o que praticamente elimina a exposição cambial direta do passivo. A transmissão viria do comportamento de quem carrega os títulos.

A premissa do banco é que um aumento da percepção de risco traria nova onda de elevação dos juros longos, superando os efeitos da política monetária do Banco Central. Se o BC subisse juros para controlar o câmbio, a trajetória da dívida indexada pioraria, cenário que a literatura chama de dominância fiscal.

O UBS ressalta que não estamos lá, mas a indexação maior da dívida à Selic aumenta riscos. O Tesouro estima que cada ponto percentual de Selic eleve a dívida bruta em R$ 60,6 bilhões, o equivalente a 0,46% do PIB, ritmo que tende a se intensificar.

"O atual perfil da dívida agrava o quadro ao piorar a dinâmica fiscal, reduzir a eficácia da política monetária e, ao preservar a liquidez disponível para a dolarização, ampliar a pressão potencial sobre o câmbio", explica o banco.

Um termômetro é o prêmio que o Tesouro paga acima da Selic para emitir LFTs (Tesouro Selic). Se esse papel exigir remuneração adicional relevante, é sinal de desconfiança no ativo mais seguro do mercado local. "Por ora, o indicador sugere ausência de estresse, embora o financiamento do Tesouro já ocorra com pequeno prêmio em relação à Selic, um primeiro sinal a ser acompanhado", ressalta o banco.

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