Economia

Brasil cria política para minerais críticos com R$ 7 bi

ResumoA Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos foi criada por lei sancionada em 16 de julho de 2025, com previsão de até R$ 7 bilhões em incentivos e um fundo garantidor com aporte inicial de R$ 2 bilhões da União. A medida busca estimular a exploração e o processamento de minerais essenciais à transição energética e à indústria de alta tecnologia no Brasil.

Lei sancionada nesta quarta-feira (16) cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, prevê até R$ 7 bilhões em incentivos e um fundo garantidor com aporte inicial de R$ 2 bilhões da União.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 17 de setembro de 2026
Brasil cria política para minerais críticos com R$ 7 bi

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira (16) a lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O texto prevê investimentos de até R$ 7 bilhões por meio de incentivos a projetos de processamento e transformação dos minerais.

O objetivo declarado é estimular pesquisa, extração e transformação de minerais críticos e estratégicos. A lei também cria o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam), com aporte de R$ 2 bilhões da União, montante que pode chegar a R$ 5 bilhões. O fundo só poderá apoiar projetos considerados prioritários no âmbito da política.

Para o setor, o horizonte de retorno é longo. "A mineração exige investimentos intensivos e ciclos produtivos que frequentemente chegam a 40 anos. Por isso, previsibilidade e estabilidade, especialmente a fiscal, são premissas indispensáveis para atrair investimento de longo prazo", afirmou Pablo Cesário, do Instituto Brasileiro de Mineração.

O que muda na estrutura pública do setor

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a lei ajudará o país a conhecer melhor seus recursos. "O Brasil vai conhecer em profundidade seus recursos e preservar a capacidade de decisão sobre suas cadeias produtivas", disse. Ele informou que o Serviço Geológico do Brasil terá aumento de verba, de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões, para pesquisa de conhecimento do solo.

Lula também assinou o decreto que cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, responsável por coordenar, planejar e acompanhar a política, além de propor ações para as cadeias produtivas.

Após a assinatura, o presidente defendeu investimento na formação de profissionais e convidou universidades e institutos federais a criar novos cursos "para não ficarmos devendo a ninguém no mundo em preparação". Ele afirmou que existem "traidores da pátria" que quiseram vender minerais críticos em estado bruto aos Estados Unidos, "a preço de banana, como fizeram com o minério de ferro".

"Não permitiremos que a história se repita. Que os inimigos do Brasil entendam de uma vez por todas. Nossa soberania não está à venda. A riqueza do Brasil tem um único dono, o povo brasileiro", disse.

Por que terras raras entram na conta

Minerais críticos e terras raras são insumos das indústrias de tecnologia, automobilística e de defesa, além da transição energética. Minerais críticos são aqueles com risco de suprimento: concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica, limitações tecnológicas, interrupção de fornecimento e dificuldade de substituição.

Terras raras são um grupo específico dentro dessa categoria: 17 elementos químicos dispersos na natureza, o que dificulta a extração. Elas são usadas em turbinas eólicas, smartphones, carros elétricos e sistemas de defesa.

A reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China, com aproximadamente 44 milhões de toneladas. Apenas cerca de 25% do território nacional foi mapeado, o que indica potencial ainda desconhecido. A definição do que é crítico ou estratégico varia por país e pode mudar conforme avanços tecnológicos, descobertas geológicas, mudanças geopolíticas e evolução da demanda.

Para quem acompanha o orçamento público, o dado relevante é o salto de verba do Serviço Geológico, de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões. É esse mapeamento que define, na prática, onde os R$ 7 bilhões em incentivos podem ser aplicados. orçamento federal 2026

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