Economia

Brasil cria política para minerais críticos com R$ 7 bi

ResumoA Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos foi criada por lei sancionada em 16 de abril de 2025 e prevê até R$ 7 bilhões em incentivos ao setor. O fundo garantidor da política recebe aporte inicial de R$ 2 bilhões da União, com possibilidade de alcançar R$ 5 bilhões.

Lei sancionada nesta quarta-feira (16) cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e prevê até R$ 7 bilhões em incentivos. Fundo garantidor recebe aporte inicial de R$ 2 bilhões da União e pode chegar a R$ 5 bilhões.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 17 de setembro de 2026
Brasil cria política para minerais críticos com R$ 7 bi

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira (16) a lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O texto prevê investimentos de até R$ 7 bilhões em incentivos a projetos de processamento e transformação dos minerais, com o objetivo de estimular pesquisa, extração e transformação desses insumos no país.

A norma também cria o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam), com aporte de R$ 2 bilhões da União para garantir empreendimentos vinculados à produção de minerais críticos e estratégicos. O montante do fundo pode chegar a R$ 5 bilhões, mas só poderá apoiar projetos considerados prioritários no âmbito da política.

O que muda para quem depende da cadeia mineral

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a lei ajudará o Brasil a conhecer melhor seus recursos. Segundo ele, o Serviço Geológico do Brasil terá aumento de verba, de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões, para investir em pesquisa de conhecimento do solo.

Pablo Cesário, do Instituto Brasileiro de Mineração, explicou que o setor trabalha com ciclos longos. "A mineração exige investimentos intensivos e ciclos produtivos que frequentemente chegam a 40 anos. Por isso, previsibilidade e estabilidade, especialmente a fiscal, são premissas indispensáveis para atrair investimento de longo prazo", disse.

Lula também assinou o decreto que cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, responsável por coordenar, planejar e acompanhar a política nacional, além de propor ações para o desenvolvimento das cadeias produtivas.

Terras raras e a lacuna de mapeamento

Os minerais críticos são insumos usados por indústrias de tecnologia, automobilística, defesa e pela transição energética. O suprimento envolve riscos como concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica e dificuldade de substituição.

Terras raras são um grupo específico dentro dessa categoria: 17 elementos químicos dispersos na natureza, o que dificulta a extração. Elas são essenciais para turbinas eólicas, smartphones, carros elétricos e sistemas de defesa.

O Brasil tem cerca de 21 milhões de toneladas em reservas de terras raras, a segunda maior já mapeada no mundo, atrás apenas da China, com aproximadamente 44 milhões de toneladas. Apenas cerca de 25% do território nacional foi mapeado, o que indica potencial ainda desconhecido.

Após a sanção, Lula defendeu investimento na formação de novos profissionais e convidou universidades e institutos federais a participar da criação de cursos. Ele também afirmou que existem "traidores da pátria" que quiseram vender minerais críticos em estado bruto aos Estados Unidos, e declarou que "nossa soberania não está à venda".

Para quem acompanha o setor, o ponto prático está no prazo: a política só deve produzir efeito real sobre a cadeia produtiva quando os projetos prioritários forem definidos e o fundo começar a operar. como funciona o Fundo Garantidor da Atividade Mineral

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