Economia

Brasil ameaça retaliar UE se embargo a carnes não avançar

ResumoBrasil ameaça retaliar a União Europeia se o embargo a carnes e produtos de origem animal não avançar nas negociações. A medida responde a restrições que afetam US,84 bilhão em exportações brasileiras. O governo brasileiro condiciona a retaliação à falta de progresso no diálogo comercial com o bloco europeu.

O governo brasileiro ameaça retaliar a União Europeia caso as negociações sobre o embargo a produtos de origem animal não avancem. A medida ocorre após restrições que atingem US$1,84 bilhão em exportações.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 03 de setembro de 2026
Brasil ameaça retaliar UE se embargo a carnes não avançar

O governo brasileiro pode recorrer a medidas de reciprocidade contra o embargo europeu a produtos de origem animal do Brasil, conforme comunicado conjunto dos ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores divulgado nesta quinta-feira (3). A retaliação ocorreria caso as negociações com os europeus não tenham uma solução satisfatória.

O comunicado foi publicado no dia em que começou a vigorar o embargo da União Europeia a produtos de origem animal do Brasil, atingindo exportações avaliadas em US$1,84 bilhão em 2025, principalmente carnes. A suspensão das importações desses produtos brasileiros acontece, segundo a Comissão Europeia, porque o bloco ainda busca garantias do Estado sobre a ausência de substâncias antimicrobianas no processo produtivo no país.

A nota do governo brasileiro expressa "profunda preocupação" com o início da implementação das restrições impostas pela União Europeia. Diz ainda que o governo mantém contato contínuo com a UE e com os setores produtivos envolvidos, com vistas à continuidade dos fluxos comerciais, mas faz uma ameaça de retaliação.

"Caso as tratativas não conduzam tempestivamente a uma solução satisfatória, o governo brasileiro reserva-se o direito de recorrer aos instrumentos cabíveis para assegurar condições equilibradas de comércio, inclusive às medidas de reciprocidade previstas no ordenamento jurídico nacional, bem como aos mecanismos pertinentes previstos no Acordo Mercosul-União Europeia e no sistema multilateral de comércio", afirmou.

No comunicado, o governo brasileiro acrescenta que os produtos afetados pelas novas restrições foram objeto de cotas e reduções tarifárias no âmbito do Acordo Mercosul-União Europeia. A "exclusão desses produtos do mercado europeu anula uma parte importante dos ganhos obtidos pelo Brasil nas negociações".

Para quem acompanha o setor, o desfecho das tratativas definirá se o Brasil acionará os mecanismos de reciprocidade ou se buscará uma solução negociada. O impacto prático: exportadores de carnes podem enfrentar incertezas no curto prazo, enquanto o governo avalia os próximos passos dentro dos acordos comerciais existentes acordo Mercosul-União Europeia.

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