Bolsas da Europa caem com inflação e juros em alta
As bolsas europeias começaram setembro no vermelho, pressionadas pela alta nos rendimentos dos títulos públicos, dados de inflação e escalada das tensões no Oriente Médio, com o barril de petróleo acima de US$ 90. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou o pregão desta terça-feira (1º) com queda de 0,56%, aos 647,46 pontos, no menor nível em um mês.
Entre os principais índices, o CAC 40, de Paris, caiu 0,39%, aos 8.301,85 pontos; o DAX, de Frankfurt, recuou 1,10%, aos 25.970,11 pontos; e o FTSE 100, de Londres, cedeu 0,32%, aos 10.789,28 pontos. O humor dos investidores foi ditado pelas preocupações com a inflação, em um cenário geopolítico conturbado e com os preços do petróleo em alta.
Na zona do euro, a inflação voltou a superar 3% na base anual. O índice acelerou de 2,9% em julho para 3,3% em agosto, impulsionado pelos custos mais elevados de energia, segundo dados da Eurostat. Já a inflação subjacente, que exclui alimentos e combustíveis, recuou de 2,5% para 2,4%, com a desaceleração dos preços de serviços de 3,3% para 3,0%.
Os números reforçam as expectativas de que o Banco Central Europeu (BCE) eleve os juros, hoje em 2,25% ao ano, na reunião da próxima semana. Segundo dados da LSEG, os operadores precificam uma alta de 25 pontos-base no dia 10. Para o ING, a possível elevação ainda é "por precaução", mas um aperto adicional indicaria uma política monetária restritiva, um movimento mais ousado, avalia Francesco Pesole, estrategista de câmbio do banco holandês.
Em reação, os rendimentos dos títulos públicos da zona do euro atingiram novas máximas em anos. O título alemão de 30 anos chegou ao pico em 15 anos, e o francês de 30 anos subiu ao nível mais alto desde 2008. Pesole acrescenta que a escalada no Oriente Médio e as notícias sobre a Rússia não ajudam, com os preços do gás natural na Europa nos máximos de março, mantendo os termos de troca do euro sob pressão.
Para o investidor, o cenário sinaliza cautela: juros mais altos na Europa tendem a fortalecer o euro e pressionar ativos de risco, enquanto a inflação persistente reduz o apetite por renda variável. Acompanhar a decisão do BCE na próxima semana será crucial para ajustar posições em carteiras globais.