Economia

BMW lucro acima do esperado: novos modelos e corte de custos no 2º tri

ResumoBMW registrou lucro acima do esperado no segundo trimestre de 2025. O resultado foi impulsionado pela demanda por novos modelos e por medidas de corte de custos. A margem Ebit da divisão automotiva atingiu 2,3%, dentro da faixa projetada para 2026. A montadora alemã enfrenta concorrência e tarifas com estratégias de eficiência operacional.

A BMW registrou lucro acima do esperado no segundo trimestre, impulsionada pela demanda por novos modelos e redução de despesas. A margem Ebit da divisão automotiva foi de 2,3%, dentro da faixa projetada para 2026. Saiba como a montadora alemã lida com concorrência, tarifas e cri

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 30 de julho de 2026
BMW lucro acima do esperado: novos modelos e corte de custos no 2º tri

BMW tem lucro acima do esperado com novos modelos e redução de despesas

A BMW superou as expectativas de lucro no segundo trimestre com margem Ebit de 2,3% na divisão automotiva, beneficiada pela forte demanda por novos modelos como o SUV elétrico iX3 e o sedã i3, além de um programa de redução de custos que já economizou € 2,5 bilhões em 2025 e prevê eliminar 8 mil postos de trabalho.

Margem Ebit de 2,3% supera estimativas do mercado

A margem Ebit da divisão automotiva da BMW alcançou 2,3% no segundo trimestre, informou a montadora nesta quinta-feira. Embora o resultado represente forte queda em relação ao registrado um ano antes, ficou ligeiramente acima das estimativas do mercado e dentro da faixa projetada pela companhia para 2026, entre 1% e 3%.

O diretor financeiro Walter Mertl afirmou que a concorrência na indústria automobilística global se intensificou significativamente. Mesmo assim, novos modelos continuam apresentando boa demanda, como o SUV elétrico iX3, primeiro veículo da plataforma Neue Klasse, e o sedã esportivo i3, lançado em junho, que registra forte volume de pedidos.

Ações sobem 0,7% em Frankfurt, mas acumulam queda no ano

As ações da BMW avançavam 0,7% nas primeiras negociações em Frankfurt. Apesar do ganho diário, acumulam queda de cerca de um terço no ano, refletindo os desafios enfrentados pela montadora.

A empresa segue os passos de rivais como a Mercedes-Benz ao acelerar o programa de redução de custos diante de uma série de desafios. Entre eles estão a desaceleração dos negócios na China, as tarifas impostas pelos Estados Unidos e os efeitos das tensões no Oriente Médio sobre a confiança dos consumidores.

Tarifas e câmbio pressionam margem Ebit em 1,25 ponto percentual

Segundo a empresa, as tarifas de importação nos EUA e na Europa reduziram sua margem Ebit em cerca de 1,25 ponto percentual no segundo trimestre. A BMW também enfrenta pressões vindas da valorização cambial desfavorável e da alta nos preços das commodities.

Para compensar, a montadora já economizou € 2,5 bilhões no ano passado. Agora, a principal frente de corte de custos é um plano para eliminar 8 mil postos de trabalho, cerca de 5% da força de trabalho global. Nesta semana, a empresa fechou um acordo com representantes dos funcionários para oferecer pacotes de desligamento voluntário.

A BMW também decidiu cancelar sua participação no Salão do Automóvel de Paris como parte do esforço para reduzir despesas.

China: vendas abaixo das Américas pela primeira vez em uma década

O maior desafio continua sendo a China, principal mercado individual da BMW. A combinação da concorrência crescente de fabricantes locais, como a Xiaomi, especialmente em veículos elétricos, e a crise do setor imobiliário tem pressionado todas as montadoras que atuam no país.

No segundo trimestre, as vendas de veículos da BMW na China ficaram abaixo das registradas nas Américas pela primeira vez em uma década, evidenciando a deterioração de sua posição no maior mercado automotivo do mundo.

O analista Harald Hendrikse, do Citigroup, escreveu: "O declínio das vendas na China teve um efeito dramático sobre a rentabilidade automotiva da BMW e, apesar do contínuo otimismo da empresa, não vemos recuperação para a BMW e suas concorrentes nessa região". Segundo ele, a montadora precisará melhorar significativamente sua rentabilidade na Europa e nos Estados Unidos.

CEO projeta margem Ebit de 8% a 10% até início da próxima década

Em discurso preparado, o CEO Milan Nedeljkovic afirmou que a BMW pretende voltar à meta histórica de margem Ebit entre 8% e 10% até o início da próxima década. A companhia também avalia novas parcerias e estratégias para adaptar melhor seus produtos às preferências dos consumidores locais.

"A indústria automotiva enfrenta desafios que se intensificam rapidamente. Por isso, é importante ser enxuto e ágil", afirmou o executivo.

Mertl acrescentou que as medidas de corte de custos estão ganhando velocidade graças ao uso crescente de inteligência artificial na área de desenvolvimento da companhia.

Concorrência da BYD e Xiaomi pressiona na Ásia-Pacífico

Além da China, a concorrência impulsionada pelas exportações de montadoras chinesas, como a BYD, também aumentou em toda a região Ásia-Pacífico, pressionando as vendas globais da BMW. Ainda assim, a empresa continua registrando crescimento na Europa e nos Estados Unidos, onde as entregas avançaram quase 12% no segundo trimestre.

A BMW manteve sua projeção para 2026 divulgada no mês passado, quando alertou investidores sobre a deterioração do cenário de negócios. A previsão coloca a empresa no caminho para se tornar a menos rentável entre as grandes montadoras europeias.

Perguntas Frequentes

Por que o lucro da BMW ficou acima do esperado?

A BMW superou as expectativas porque a margem Ebit de 2,3% ficou ligeiramente acima das estimativas do mercado, mesmo com forte queda anual, beneficiada pela demanda por novos modelos e pelo programa de redução de custos.

Qual a margem Ebit projetada pela BMW para 2026?

A faixa projetada pela BMW para a margem Ebit da divisão automotiva em 2026 é entre 1% e 3%, conforme informou a montadora.

Quantos postos de trabalho a BMW planeja eliminar?

A BMW planeja eliminar 8 mil postos de trabalho, cerca de 5% da força de trabalho global, como parte do programa de corte de custos. A empresa já fechou acordo para pacotes de desligamento voluntário.

Como a China afeta os resultados da BMW?

A China, maior mercado individual da BMW, enfrenta concorrência crescente de fabricantes locais como Xiaomi e BYD, além da crise imobiliária. No segundo trimestre, as vendas na China ficaram abaixo das Américas pela primeira vez em uma década.

Qual a meta de margem Ebit de longo prazo da BMW?

O CEO Milan Nedeljkovic afirmou que a BMW pretende voltar à meta histórica de margem Ebit entre 8% e 10% até o início da próxima década.

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