Economia

BC reduz juros básicos para 13,75% ao ano

ResumoO Banco Central do Brasil reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, na quinta queda consecutiva, decisão unânime do Copom. A medida ocorre em cenário de inflação em desaceleração, mas com riscos geopolíticos no Oriente Médio e efeitos do El Niño.

Por unanimidade, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, a quinta queda consecutiva. A decisão era esperada pelo mercado e ocorre num cenário de inflação em desaceleração, mas com guerra no Oriente Médio e El Niño no radar.

Lia Hartmann
Lia Hartmann Especialista em renda fixa · 16 de setembro de 2026
BC reduz juros básicos para 13,75% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e marca a quinta redução consecutiva dos juros básicos da economia. O mercado financeiro já esperava o movimento.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O corte ocorre apesar das tensões em torno da guerra no Oriente Médio e do início do fenômeno climático El Niño, que dificultam o trabalho do Copom.

O que mudou na decisão

De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros em abril, num cenário de queda da inflação. Em agosto, o IPCA ficou negativo em 0,32%, o menor nível em quatro anos, beneficiado pelo bônus de Itaipu nas contas de luz. No acumulado de 12 meses, o índice recuou para 4,22%, contra 4,44% em julho.

O preço dos alimentos também contribuiu para o recuo da inflação em agosto, com queda de 0,34% no mês. Ainda assim, o início do El Niño deverá encarecer a comida nos próximos meses, o que representa um desafio adicional para a política monetária.

O Copom esteve desfalcado porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva até agora não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional.

Meta contínua e projeções

Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%. No modelo, a meta passa a ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de junho, o Banco Central elevou de 3,9% para 5,2% a previsão do IPCA em 2026, mas a estimativa será revista por causa da recente queda da inflação. A próxima edição do documento sai no fim deste mês.

As previsões do mercado estão menos pessimistas. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,9%, acima do teto da meta, de 4,5%. Antes do início da guerra no Oriente Médio, as estimativas estavam em 3,95%.

Efeito no crédito e no PIB

A redução da Selic impulsiona a economia: juros mais baixos barateiam o crédito e estimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas menores dificultam o controle da inflação. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central elevou para 2% a previsão de crescimento da economia em 2026.

O mercado projeta expansão mais baixa. Conforme a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem crescimento de 1,89% do PIB em 2026. Há quatro semanas, a estimativa estava em 1,98%.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços. Ao reduzi-la, barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

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