BBAS3 em alerta: RJ no agronegócio salta 22%, diz Serasa
Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio saltaram 21,9% no 1T26, para 474, impulsionados por produtores pessoa jurídica. Mato Grosso lidera com 135 registros. Entenda o cenário e o impacto no BBAS3.
Banco do Brasil (BBAS3) em alerta: pedidos de recuperação judicial no agronegócio saltam 22%, aponta Serasa
Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio somaram 474 no primeiro trimestre de 2026, uma alta de 21,9% em relação ao mesmo período do ano passado, informou a Serasa Experian nesta quarta-feira (12). O impulso veio das solicitações de produtores pessoa jurídica, em meio ao aumento de dívidas e custos no setor. O Banco do Brasil (BBAS3), principal financiador do agronegócio, acompanha o movimento com atenção.
Resposta direta: Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio somaram 474 no 1T26, alta de 21,9% ante o 1T25. O avanço foi puxado por produtores pessoa jurídica, que saltaram 73,5% no período, para 196 solicitações. Mato Grosso lidera entre os estados, com 135 registros.
O que explica o salto de 21,9% nos pedidos de RJ no agronegócio
O indicador da Serasa Experian reúne pedidos de recuperação judicial feitos por produtores rurais que atuam como pessoa física e jurídica, além de empresas ligadas à cadeia produtiva. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, quando as solicitações somaram 408, o aumento também foi registrado.
Ainda assim, os 474 pedidos do 1T26 ficaram abaixo do pico do terceiro trimestre de 2025, quando foram contabilizados 628 solicitações.
"O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo", afirmou o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, em nota.
Segundo ele, a evolução do cenário até o final do ano dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação dos compromissos.
"Por isso, reforçamos que renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso", defendeu.
Mato Grosso lidera pedidos de recuperação judicial entre os estados
O Mato Grosso, principal produtor de grãos, oleaginosas e gado do país, registrou o maior número de solicitações de RJ entre os estados, com 135 registros. Em seguida aparecem:
- Goiás: 73 pedidos
- Paraná: 50 pedidos
- Mato Grosso do Sul: 38 pedidos
Os três últimos também são grandes produtores de grãos, o que reforça a concentração do endividamento nas regiões de agricultura intensiva.
Soja e bovinos concentram os pedidos por atividade
No recorte por atividade, o cultivo de soja, principal cultura do país, concentrou 137 pedidos de recuperação judicial. A criação de bovinos aparece em seguida, com 42 solicitações, segundo a Serasa.
A soja é a cultura mais exposta aos custos de produção e à volatilidade de preços, o que ajuda a explicar a liderança no número de pedidos.
Pessoa jurídica puxa alta com salto de 73,5%
Os pedidos de RJ de produtores rurais que atuam como pessoa jurídica deram um salto de 73,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, para 196 pedidos. Esse foi o maior crescimento anual entre os três perfis analisados pela Serasa.
Entre os produtores pessoa física, o cenário foi de queda. Os pequenos proprietários fizeram 44 solicitações, os grandes 41 e os médios 37, totalizando 182 pedidos no segmento, uma redução de 6,7% na comparação anual.
Já os produtores classificados como "sem propriedades" em pessoa física, que pode envolver arrendatários, concentraram 60 pedidos.
O que os números significam para o Banco do Brasil (BBAS3)
Os números do agronegócio estão entre os fatores que impactam os resultados do Banco do Brasil, o principal financiador do setor. A alta nos pedidos de recuperação judicial sinaliza maior estresse financeiro entre os tomadores de crédito rural.
Para o BBAS3, o risco é de aumento na inadimplência e na necessidade de provisões, o que pode pressionar a rentabilidade no médio prazo. O banco, porém, segue como peça central no financiamento do agronegócio brasileiro.
O que esperar até o fim do ano
A evolução do cenário até o final do ano dependerá de três fatores, segundo Marcelo Pimenta, da Serasa:
- Capacidade de geração de receita dos produtores
- Comportamento das margens
- Condições de renegociação dos compromissos
A recomendação do especialista é clara: renegociar e manter planejamento financeiro deve ser prioridade, com a recuperação judicial como último recurso.
Para quem acompanha o setor, o trimestre mostra que o ajuste no campo ainda não terminou. A queda ante o pico do 3T25 traz algum alívio, mas a alta anual e o avanço da pessoa jurídica indicam que o estresse segue presente.
Perguntas Frequentes
Quantos pedidos de recuperação judicial no agronegócio foram registrados no 1T26?
Foram 474 pedidos no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% ante o mesmo período de 2025.
Qual estado liderou os pedidos de RJ no agronegócio?
Mato Grosso liderou com 135 registros, seguido por Goiás (73), Paraná (50) e Mato Grosso do Sul (38).
Qual atividade concentrou mais pedidos de recuperação judicial?
O cultivo de soja concentrou 137 pedidos, seguido pela criação de bovinos, com 42.
Quem são os produtores que mais aumentaram os pedidos de RJ?
Os produtores pessoa jurídica saltaram 73,5% no 1T26, para 196 pedidos, o maior crescimento entre os perfis analisados.
Como os números do agronegócio afetam o Banco do Brasil (BBAS3)?
O Banco do Brasil é o principal financiador do setor, e o aumento dos pedidos de RJ pode pressionar a inadimplência e as provisões do banco.