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Fed: apostas em alta de juros sobem a 69,8% antes do CPI

As apostas em uma alta de juros nos Estados Unidos ganharam força nesta quinta-feira (10), a poucos dias da próxima reunião do Federal Reserve. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, o mercado agora atribui 69,8% de probabilidade de uma elevação de 0,25 ponto percentual, contra 30,2% de chance de manutenção.

Se confirmado, o movimento levará a taxa americana do intervalo atual de 3,50% a 3,75% para 3,75% a 4,00% ao ano.

O que mudou nas apostas sobre o Fed

A mudança nas expectativas veio depois de uma sequência de dados que reforçou a percepção de que a economia norte-americana ainda tem força para suportar juros mais altos. Nesta quinta, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) avançou 0,4% em agosto e acumulou alta de 5,4% em 12 meses, pressionado principalmente pela energia. Os números vieram em linha com as projeções, mas mantiveram aceso o alerta sobre a inflação. Antes da divulgação, o mercado indicava probabilidade de aproximadamente 62% de alta.

O mercado de trabalho entrou na mesma conta. Na última sexta-feira (4), o payroll mostrou a criação de 162 mil vagas em agosto, muito acima das 50 mil esperadas pelos economistas. Os números de julho também foram revisados para cima: em vez do fechamento de 23 mil postos informado inicialmente, o governo passou a apontar a abertura de 44 mil vagas. A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%.

Para Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, os dados confirmaram a resiliência da maior economia do mundo. "O payroll reforça, na minha visão, que estamos em uma economia forte e resiliente, que continua crescendo apesar de todos os eventos de volatilidade vivenciados nos Estados Unidos, como as tarifas de Trump e o choque no preço do petróleo causado pela guerra no Irã", afirmou.

Por que o CPI desta sexta é decisivo

Como o Fed tem o duplo mandato de buscar o máximo emprego e a estabilidade de preços, a força do mercado de trabalho reduz a necessidade de cautela por esse lado e abre espaço para uma postura mais dura no combate à inflação. O CPI de agosto, que sai nesta sexta-feira (11), será o último grande teste antes da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), marcada para os dias 15 e 16 de setembro.

A expectativa é de que o núcleo do indicador, que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia, avance 0,2% no mês. Leitura acima do esperado pode consolidar as apostas em alta; dado mais benigno ainda pode fortalecer o grupo que defende a manutenção da taxa. O relatório ganha peso extra diante do tom adotado por Kevin Warsh em Jackson Hole, quando o presidente do Fed afirmou que a autoridade monetária precisa enxergar uma convergência clara e suficientemente rápida da inflação em direção à meta de 2%.

Warsh evitou antecipar a decisão de setembro, mas a avaliação de que a atividade permanece forte, o mercado de trabalho opera próximo do pleno emprego e as condições financeiras não são restritivas foi interpretada como sinal mais hawkish, favorável a juros elevados.

Uma surpresa para cima no CPI tende a reforçar a possibilidade da primeira alta de juros do Fed em três anos. Uma leitura mais fraca pode manter a taxa inalterada, ainda que com comunicação dura sobre os próximos passos.

Lia Hartmann
Especialista em renda fixa
Especialista em renda fixa.
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