Economia

LIV Golf pede falência: aposta de US$ 5 bi termina

ResumoA LIV Golf, liga financiada pelo fundo soberano da Arábia Saudita, pediu recuperação judicial após investir mais de US$ 5 bilhões. O pedido encerra a tentativa mais cara de criar uma liga esportiva alternativa. A falência reacende o debate sobre a sustentabilidade de modelos baseados exclusivamente em capital externo no esporte profissional.

A LIV Golf, liga financiada pelo fundo soberano da Arábia Saudita, pediu recuperação judicial nesta semana após investir mais de US$ 5 bilhões. O caso marca o fim da tentativa mais cara de criar uma liga esportiva e reacende o debate sobre o poder do dinheiro no esporte.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 09 de setembro de 2026
LIV Golf pede falência: aposta de US$ 5 bi termina

A LIV Golf, liga financiada pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), pediu proteção contra falência na terça-feira, encerrando oficialmente uma aposta que consumiu mais de US$ 5 bilhões. O principal financiador, que havia interrompido o suporte no início do ano, comprometeu-se a fornecer US$ 50 milhões para manter as operações em funcionamento.

O pedido de recuperação marca o fim do que talvez tenha sido a tentativa mais cara da história de criar uma nova liga esportiva. Segundo comunicado da liga, estão em andamento "negociações avançadas" para que os próprios jogadores assumam o controle do negócio. A gestora BC Partners e outros investidores devem fornecer recursos caso a LIV Golf consiga sair do processo.

Apesar do colapso financeiro, a liga ainda planeja captar US$ 300 milhões para a temporada de 2027. Mas as dívidas são expressivas: Jon Rahm tem mais de US$ 7,4 milhões a receber; Bryson DeChambeau, cerca de US$ 5,7 milhões; e Dustin Johnson, US$ 5,4 milhões. Até o ACNUR aparece entre os credores, com uma reivindicação de US$ 1,7 milhão.

A origem do projeto remonta a uma ideia do ex-golfista Greg Norman, apresentada em 1994. Em 2021, a consultoria McKinsey assessorava o PIF sobre o lançamento da liga, e a LIV Golf Investments anunciou um aporte inicial de US$ 200 milhões. Naquele mesmo ano, o fundo soberano adquiriu o Newcastle United, da Premier League, iniciando sua ofensiva global no esporte.

Cinco anos depois, a Arábia Saudita revisa gastos e reduz projetos caros. Acordos de snooker e bilhar estão sendo encerrados, enquanto o foco migra para a liga nacional de futebol e a Copa do Mundo de 2034. A disputa com o PGA Tour, que classificava os eventos da LIV como "exibições", chegou aos tribunais e terminou em trégua não concretizada em 2023.

O legado, porém, é ambíguo. A LIV realizou torneios de destaque, como o de Adelaide, na Austrália, que reuniu mais de 100 mil espectadores, e fechou acordo de mídia com a Fox Sports. Mas seu maior impacto foi econômico: as premiações do PGA Tour cresceram entre 30% e 40% nos torneios regulares e até 140% nos principais eventos. O PGA Tour, que a LIV queria derrubar, emerge fortalecido, com US$ 1,5 bilhão em caixa.

A primeira audiência do processo está marcada para esta quarta-feira, em Nova Jersey. A liga possuía apenas cerca de US$ 15 milhões em caixa ao pedir proteção. O ciclo, desta vez, pode não virar para o lado saudita.

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