Aporte de R$ 6 bi nos Correios dará estabilidade, diz governo
O governo Lula confirmou que incluiu um aporte de R$ 6 bilhões nos Correios no projeto de lei orçamentária anual (PLOA) 2027. Ministros afirmam que o objetivo é dar estabilidade à estatal.
O governo Lula confirmou neste domingo que incluiu a previsão de um aporte de R$ 6 bilhões no caixa dos Correios no projeto de lei orçamentária anual (PLOA) 2027, a ser enviado ao Congresso na próxima segunda-feira. A informação consta em nota conjunta dos ministros das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho; da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; e do Planejamento, Bruno Moretti.
Segundo os ministros, o objetivo é dar estabilidade para a empresa. O aporte está previsto no contrato do empréstimo de R$ 12 bilhões que a estatal tomou no ano passado, com ajuda do Tesouro Nacional, para regularizar pagamentos atrasados, mas ainda assim registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões. O plano de reestruturação, com medidas para reduzir despesas, foi a contrapartida ao financiamento.
Na nota, os ministros afirmam que, com o aporte, a estatal terá maior estabilidade para seguir negociando com clientes e fornecedores, em direção ao bom andamento do seu Plano de Reestruturação e recuperação dos resultados financeiros positivos. Desde o início do plano, a empresa tem tomado medidas para reduzir despesas, ampliar receita operacional e equacionar o fluxo de caixa.
Os números recentes mostram o tamanho do desafio. No segundo trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões, queda de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando a perda foi de R$ 2,53 bilhões. No primeiro semestre, o prejuízo acumulado é de R$ 5,55 bilhões, aumento de 30,4% ante os R$ 4,26 bilhões do mesmo período do ano passado.
Apesar disso, o governo destacou avanços: houve alongamento e barateamento da dívida, com a empresa encerrando o semestre sem nenhum empréstimo vencendo no curto prazo. Os custos dos serviços somaram R$ 7,6 bilhões no primeiro semestre, 14% abaixo do orçado, e o custo com pessoal recuou cerca de 4%, reflexo do plano de demissão voluntária.
"Essa evolução só tem sido possível com a garantia de liquidez para os Correios, que tem permitido a recuperação operacional e a melhora no perfil da dívida", diz a nota.