Economia

Fachin: "Nenhuma autoridade está acima da Constituição"

ResumoO ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou em evento no Planalto ao lado do presidente Lula que nenhuma autoridade está acima da Constituição. Fachin defendeu metas para enfrentar a crise institucional, incluindo a adoção de um código de ética e o encerramento do inquérito das fake news. A fala reforça a independência judicial.

Em evento no Planalto ao lado de Lula, Fachin afirma que "nenhuma autoridade está acima da Constituição" e reforça metas para enfrentar a crise no STF, como código de ética e fim do inquérito das fake news.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 04 de setembro de 2026
Fachin: "Nenhuma autoridade está acima da Constituição"

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, afirmou que "nenhuma autoridade está acima da Constituição" e que a crise na Corte reforça a urgência de cumprir três metas de sua gestão: criar um código de ética para ministros, encerrar o inquérito das fake news e modernizar o Judiciário brasileiro. A declaração ocorreu ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do advogado-geral da União, Jorge Messias, durante evento no Palácio do Planalto que marcou a sanção do Fundo Especial da Justiça Federal e do Fundo Especial do Superior Tribunal de Justiça.

"A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Ao contrário, quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo legal e as garantias constitucionais. Não haverá precipitação. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa", declarou Fachin nesta sexta-feira (4). "Faremos o que é certo. No tempo e pela forma que a ordem jurídica exige. As instituições precisam ser preservadas. Nenhuma autoridade está acima da Constituição", concluiu.

A fala de Fachin ocorre em meio à crise instaurada no STF após o ministro André Mendonça retirar, na terça-feira (1º), o sigilo de um relatório da Polícia Federal que expõe mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro citando Moraes, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em resposta, Moraes determinou que Andrei Rodrigues encaminhasse relatórios de inteligência com citações a integrantes da Corte. Na quinta-feira (3), Moraes encaminhou a Fachin um despacho apontando "indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade" por parte de Mendonça. Fachin, então, retirou o pedido do inquérito das fake news e deu cinco dias para PGR e Mendonça se manifestarem, mantendo o caso sob análise da Presidência da Corte.

No dia anterior, Lula publicou vídeo cobrando o STF sobre "integridade nas investigações" no caso Master e defendeu que "se investigue a todos, sem blindagem de ninguém". No evento, Lula reforçou que cabe a Fachin e Gonet passar tranquilidade à população sobre a confiança nas instituições, sem esconder nada. "Ninguém, em nome da democracia, pode usar o cargo que tem em benefício pessoal", disse, e defendeu uma discussão profunda sobre a reforma do Judiciário no próximo ano. A crise também mobilizou o Senado: Davi Alcolumbre saiu em defesa de Moraes e citou os R$ 130 milhões pedidos para a mesma pessoa fazer um filme, em referência a Flávio Bolsonaro.

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