Direita escolhe redução da maioridade penal para abrir campanha antes da economia
A convenção da União Progressista nesta segunda-feira (20) consolidou a segurança pública como principal bandeira da direita para 2026, com propostas como redução da maioridade penal e endurecimento do sistema penal, antes mesmo da economia.
Antes da economia, direita escolheu redução da maioridade penal para abrir a campanha
A convenção da federação União Progressista (União Brasil e PP), realizada nesta segunda-feira (20) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), consolidou a segurança pública como o principal eixo da campanha da direita para as eleições de 2026, antes mesmo da pauta econômica. O evento oficializou candidaturas e apoios, mas o debate foi dominado por propostas de endurecimento penal, incluindo a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.
Segurança pública como eixo central da campanha
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP) recorreram à segurança pública como elemento de diferenciação em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O discurso não representa uma mudança de rumo, mas a consolidação de uma estratégia seguida desde o lançamento do plano de governo de Flávio Bolsonaro.
Plano de governo já previa endurecimento penal
Naquele documento, a segurança aparece como um dos pilares da campanha, com propostas como classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas, ampliar o uso de tecnologia no policiamento, endurecer o sistema penal e defender mudanças na legislação voltadas ao aumento das punições.
Flávio Bolsonaro reforça promessas de campanha
Na convenção, Flávio voltou a colocar essas medidas no centro de sua campanha. Ao citar Guilherme Derrite, afirmou que pretende levar para todo o país iniciativas implantadas em São Paulo, como o Smart Sampa e a Muralha Paulista, e reiterou a promessa de enquadrar as principais facções criminosas como organizações terroristas. O senador também procurou estabelecer uma divisão clara entre sua candidatura e o governo federal ao afirmar que sua gestão adotará uma política de enfrentamento direto às organizações criminosas.
Tarcísio usa indicadores paulistas como argumento eleitoral
Tarcísio adotou estratégia semelhante. Em vez de apresentar novas propostas, utilizou os indicadores da administração paulista como argumento eleitoral. Ao defender a candidatura de Guilherme Derrite ao Senado, atribuiu ao secretário resultados como a redução dos homicídios, dos roubos de carga e o avanço no combate à Cracolândia, transformando esses números em ativos políticos da campanha.
Guilherme Derrite como símbolo do endurecimento penal
A presença de Derrite no centro da chapa também ajuda a explicar essa escolha. Ex-comandante da Rota e principal rosto da política de segurança do governo paulista, ele passa a representar, na disputa pelo Senado, a agenda de endurecimento penal defendida pelo grupo.
Redução da maioridade penal como tema recorrente
Outro tema recorrente entre os participantes do evento foi a redução da maioridade penal. A proposta, que historicamente mobiliza o eleitorado conservador, voltou a ser apresentada como uma resposta ao aumento da violência e apareceu em diferentes discursos como uma das mudanças que dependeriam de uma nova composição do Congresso Nacional.
Percepção de insegurança influencia eleitorado
A insistência nesse ponto também dialoga com outro movimento observado nas pesquisas de opinião ao longo do último ano. Especialistas têm apontado que a percepção de insegurança, especialmente ligada a crimes patrimoniais, tende a influenciar mais o comportamento eleitoral do que indicadores gerais de violência. Temas como roubo de celulares, atuação do crime organizado e sensação de insegurança passaram a ocupar espaço crescente na disputa política.
Convenção unifica discurso da direita
Nesse contexto, a segurança pública deixa de ser apenas um tema de governo e se transforma em eixo organizador da campanha da direita. Ao reunir Tarcísio, Flávio, Derrite, André do Prado e Ricardo Nunes no mesmo palanque, a convenção procurou apresentar um grupo que associa sua identidade política à promessa de endurecimento no combate ao crime, transformando essa agenda em um dos principais pontos de diferenciação para a eleição de 2026.
Perguntas Frequentes
Por que a direita escolheu a redução da maioridade penal antes da economia?
A convenção da União Progressista em São Paulo priorizou a segurança pública como principal bandeira, com a redução da maioridade penal como proposta central, antes da pauta econômica, para consolidar uma estratégia de diferenciação em relação ao governo Lula.
Quais lideranças defenderam a redução da maioridade penal?
Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Guilherme Derrite foram as principais lideranças que defenderam a redução da maioridade penal e outras propostas de endurecimento penal durante a convenção.
O que mais foi proposto no evento além da redução da maioridade penal?
Também foram propostas a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, ampliação do uso de tecnologia no policiamento e endurecimento do sistema penal.
Como a segurança pública se relaciona com as eleições de 2026?
A segurança pública foi consolidada como um dos principais eixos de campanha da direita para 2026, com base na percepção de insegurança e no combate ao crime organizado.
Quem é Guilherme Derrite e qual seu papel na campanha?
Guilherme Derrite, ex-comandante da Rota e candidato ao Senado, é o principal rosto da política de segurança do governo paulista e símbolo da agenda de endurecimento penal defendida pelo grupo.