Economia

Anec vê avanço na exportação de soja em setembro e recorde de farelo

ResumoA Anec projeta exportação de soja de 7,74 milhões de toneladas em setembro de 2025, volume cerca de 760 mil toneladas superior ao registrado em igual período de 2024. O farelo de soja caminha para o maior volume mensal do ano, superando o recorde anterior de maio.

Primeira projeção da Anec para setembro aponta soja em 7,74 milhões de toneladas, cerca de 760 mil acima de igual período do ano passado. Farelo caminha para o maior volume mensal do ano, superando o recorde de maio.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 10 de setembro de 2026
Anec vê avanço na exportação de soja em setembro e recorde de farelo

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) estimou nesta quarta-feira (9) a exportação de soja do Brasil em setembro em 7,74 milhões de toneladas, cerca de 760 mil toneladas acima do mesmo período do ano passado. O número consta da primeira projeção de embarques da entidade para o mês.

O avanço da soja vem sendo embalado por demanda firme e por uma safra recorde. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a Anec projeta 102 milhões de toneladas exportadas, volume já próximo do recorde anual de 2025, de 108,68 milhões de toneladas. A entidade não fez considerações sobre a projeção para o ano, mas havia estimado anteriormente um recorde de 110 milhões de toneladas para 2026.

Farelo de soja mira maior patamar mensal do ano

O destaque da projeção está no farelo. A Anec estimou 2,6 milhões de toneladas embarcadas em setembro, aumento de 673 mil toneladas no comparativo anual. O volume seria o maior do ano e superaria o recorde histórico verificado em maio deste ano. No ano até setembro, as exportações de farelo deverão superar 20 milhões de toneladas, a caminho de ultrapassar o recorde de 23 milhões de toneladas de 2025.

Segundo o relatório, o contexto favorece o fortalecimento dos prêmios de exportação de farelo no porto de Paranaguá e estimula negociações para embarques do quarto trimestre. "O suporte também veio do mercado internacional. Preocupações com a safra dos Estados Unidos ajudaram a sustentar os contratos futuros na Bolsa de Chicago, reforçando o viés positivo para os preços FOB sul-americanos", apontou a Anec.

Milho recua com concorrência externa

O milho segue na direção oposta. A projeção para setembro é de 5,2 milhões de toneladas, ante quase 7 milhões em setembro de 2025. O país enfrenta maior concorrência de Argentina e EUA neste ano, além de disputa do mercado interno, especialmente do setor de etanol, enquanto fazendeiros têm segurado o produto.

Em agosto, as exportações de soja fecharam em 9,6 milhões de toneladas e as de milho somaram 5 milhões. No acumulado até o fim de setembro, a projeção para o milho é de 19,35 milhões de toneladas, menos da metade das 41,59 milhões de 2025 completo. A Anec citou projeção da S&P Global Energy de 39 milhões de toneladas no atual ano comercial.

A entidade lembrou que, nos últimos meses do ano, a exportação de soja tem comportamento sazonal e abre espaço para o escoamento da segunda safra de milho. "A atividade comercial ganhou força na segunda metade de agosto, com cooperativas apontando maior participação de tradings e usinas de etanol de milho na disputa pela oferta oriunda da safrinha", apontou o relatório, que admitiu volumes menores antes por retenção do cereal, maior atratividade do mercado físico e margem de exportação apertada.

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